terça-feira, 24 de agosto de 2010

Qualquer semelhança - parte 3

O evento começou e o que se via era uma multidão tentando chegar mais perto. Um lugar para se sentar parecia impossível mas ela seguiu com determinação, porém, o máximo que conseguiu foi um espaço no corredor lateral onde ficaria em pé por algumas horas.

O tempo passava rapidamente e ele ainda não estava lá. O que pairava no ar era uma ansiedade e uma expectativa coletiva para o momento de então poderem vê-lo.

De repente abre-se um corredor em meio multidão e com o auxílio do pessoal da recepção ele consegue chegar ao palco do evento.

As atenções foram tomadas e a partir daquele momento nada mais do que se falava parecia ter lugar na memória das pessoas. Toda a programação prévia parecia ter uma função meramente introdutória, sem a preocupação de fazer sentido uma vez que o ápice do evento girava em torno dele.

Júnior acompanhava tudo do lado de fora pois só encontrou um lugar para estacionar o carro muito longe dali e quando chegou não havia mais como entrar. Silvia não notou sua falta e ainda estava chateada por não ter conseguido um lugar para se sentar.

Quando ele tomou a palavra e iniciou seu discurso o silêncio tomou conta da multidão tal era a curiosidade acerca de suas palavras. Nem tudo o que ele dizia parecia fazer sentido mas a sua eloquência - fruto de muita experiência em eventos como aquele - era formidável e tudo era tão novo e arrebatador que um misto de dúvidas e aprendizados enchia os ouvidos e corações.

Silvia acompanhava atenta a cada palavra enquanto outros timidamente começavam a tirar fotos dele.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Grama do vizinho - Vou me lembrar

Lembre-se de quem bebeu do fel amargo de uma taça
Que ainda existe quem torça pra assistir uma desgraça
E dos fariseus, que engordam com aquilo que é nosso
E dos mercenários que cobram pra nos dar o que é de graça

Lembre-se de quem gera das entranhas o Seu povo
Que valemos mais do que o mundo inteiro com o seu ouro
Que aquele sacrifício, é vivo e permanece sobre todos nós para sempre

Lembrem-se do pão que nunca nos faltou em meio à seca
De quem multiplicou e faz com que nenhum dos Seus se perca
Que nunca foi alguém de carne e osso que nos fez mais nobres
Que não há mais ninguém melhor do que
Alguém que se fez pobre

Lembre-se de quem nos deu o próprio sangue como um selo
Que homens vão e vêm mais Ele permanece eternamente
Que Aquele que desceu, é o mesmo que subiu e que nos levará para sempre

Eu vou me lembrar, de não me esquecer
De tudo o que eu fiz
E sempre acreditar que o que me faltar
Deus já me deu
E pelo que eu vivi
Sempre glorificá-Lo

Eu vou me lembrar que mesmo assim
Eu nada sou
E sempre acreditar que
Quando eu morrer
Eu vou viver
E, sem parar
Pra sempre glorificar o meu Deus

Banda Resgate
CD Ainda não é o último

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Qualquer semelhança - parte 2

Longe dali, um pouco mais cedo, Erivelton e Teresa saem de casa a pé. Pedrinho e Ana acompanham os pais de longe enquanto brincam com as pedras que apanham na rua de chão batido.

- “Querida, quer que eu leve esse balde para você?”

- “Não amor, não se preocupe. Não está pesado”.

- “Uma chuva caía bem, não acha? Nesse verão a poeira aumenta quando os carros passam e o salão fica muito sujo”.

- “Também acho. O problema é que se chover o pessoal não aparece”.

A rotina era a mesma de sempre: chegar um pouco mais cedo, limpar o chão, arrumar as cadeiras e tirar o pó das janelas. Mas isso não os incomodava. Aquela noite seria como todas as outras e Ele estaria lá.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Qualquer semelhança - parte 1

Naquela tarde tudo parecia mais corrido do que costumava ser.

- “Corra senão vamos nos atrasar” dizia ele, fazendo com que ela tropeça-se entre as roupas e perdesse o secador de cabelos entre o caminho do quarto até o banheiro.

- “Se não chegarmos cedo não conseguimos um bom lugar. E você sabe que hoje vai estar lotado. Afinal de contas a divulgação foi grande e vem gente de todo lugar para vê-lo”.

- “Já sei, já sei... por favor tenha paciência. Eu preciso estar muito bem arrumada hoje.Porque você não se adianta e já tira o carro da garagem?”

Saíram apressados tentando descobrir um caminho sem muito trânsito. No carro a discussão continuou com acusações mútuas pelo atraso.

- “Já estou vendo tudo. Não vamos conseguir estacionar perto. Vamos ter que andar e vamos nos atrasar mais ainda”.

- “Problema seu. Me deixe na porta para que eu consiga um bom lugar. Depois você estaciona.”

O início da noite chegou e o evento era aguardado a muito tempo. Aquela noite seria diferente das outras. Afinal de contas ele estaria lá.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Democracia de 1

Eleições se aproximando e a velha ladainha de sempre volta a tona. O estado “democrático” será novamente colocado em ação. Se escuta novamente a falácia do regime perfeito: Democracia, um regime de governo em que o povo decide.

Não que eu queira colocar por terra seus anseios e esperanças políticas. Não que eu queira dar aula de antropologia ou sociologia. Não que eu queira te incentivar a votar ou deixar disso. Não que eu queira provar que o sistema está falido. Não que eu queira te incitar contras as autoridades constituídas. Nem de longe.

Contudo... já faz um bom tempo que meus projetos de lei para a vida são decididos na democracia de uma pessoa só e que por incrível que pareça não sou eu.

“Se houvesse um povo de deuses, ele seria governado democraticamente. Um governo tão perfeito não convém aos homens.” Jean-Jacques Rousseau

E a falácia continua baseada na certeza de que são deuses.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Uma moeda para Caronte

O valor atribuído aos serviços prestados não é uma coisa nem um pouco nova, não é de hoje que o tempo a disposição e a serviço dos outros tem sua etiqueta e em alguns casos sua tabela de preços.

Na mitologia grega até mesmo depois da morte essa regra valia. Segundo consta, um bom e velho enterro só estaria completo se o corpo fosse baixado ao túmulo com uma moeda debaixo da língua (ou duas nos olhos). O ritual dizia respeito a Caronte, o barqueiro responsável por fazer a travessia das almas através do Rio Estige, que separava o mundo dos vivos do dos mortos. A moeda serviria para o pagamento da travessia e aqueles que não tivessem fundos nessa hora tão crítica ficariam 100 anos vagando pelo limbo. Além disso, essas pobres almas penadas – ou almas penadas pobres – se encarregariam de assombrar e assustar os vivos nas infinitas horas vagas desses 100 anos... aqui entre nós, deveriam assombrar mesmo os “camaradas” que não tiveram a mínima consideração de emprestar a última mísera moedinha aos amigos mortos.

O certo é que o conceito de fazer alguma coisa de graça nunca teve um apelo forte na história da humanidade e pelo que dizem de Caronte não adiantava implorar para pendurar a dívida ou então parcelar a travessia no cartão de crédito.

Talvez daí, desde muito tempo atrás, podemos entender o forte apelo pela compra. Impossível ganhar alguma coisa de graça, afinal de contas tudo tem um preço. E não apenas preço, mas um valor que gere lucro, só assim o processo fecha e todo mundo fica feliz. Seja do outro lado do rio, seja ficando rico de tanto transportar almas.

Alguns procuram acertar as contas por aqui mesmo imaginando ser essa a moeda certa para o “depois”, algo do tipo poupança programada ou aposentadoria garantida. Outros acreditam que estão pagando hoje a falta de recursos da vida passada ou então colhendo os lucros de pagamentos anteriores. Tudo num ciclo de serviços e pagamentos. Partidas dobradas de débito e crédito.

O problema, como sempre, fica para os pobres que não tem moedas para o “depois” e na cabeça de muitos, ainda pagam hoje as dívidas de ontém num destino de desgraça em cima de desgraça. Eles (os pobres) são sempre relegados a periferia (ou a um único lado do rio) sem direito a maiores travessias. A falta da moeda os persegue em vida e morte.

Seguindo o coletivo vigente, desde sempre, seria então normal chamar de louco alguém que apareça oferecendo algo tão nobre de graça. Como é possível que redenção e salvação sejam oferecidas de graça? Como pode alguém disponibilizar coisas tão caras aos pobres. Coisas antes reservadas apenas aos detentores da moeda.

Um “louco” que pode acabar com o negócio tão lucrativo dos Carontes da mitologia grega e da sociedade atual.

Um “louco” que substituiu as minhas míseras moedas reservadas para o fim por gotas de sangue que servem como passaporte e bilhete universal para a vida, morte e eternidade.

Os Carontes que achem outra ocupação. No que depender de mim seu negócio já faliu.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Aos cansados - final

Vou tentar resolver o dilema na contramão do senso comum. Seguindo o mesmo princípio que diz: quando você quer encontrar alguma coisa simplesmente pare de procurar.

Assim como maratonistas acham um segundo fôlego após os 30km creio que também posso usar dessa estratégia. Vou perseguir a linha de chegada antes que o meu joelho engripe de vez e que as minhas costas não me permitam olhar para frente sem estar sentado. Vou viajar nem que seja de carona. Vou trabalhar até que os resultados sejam entregues e que os novos desafios surjam. Vou ver o piá crescer e seguir o seu exemplo que fica bravo na hora de dormir e extremamente feliz quando “já tá de dia mãe? Posso levantar?”.

Concluí que meus sapatos ainda não estão suficientemente desgastados para reclamar do cansaço. Na minha maratona só cheguei aos 36 e espero que o fim dela seja muito além dos 42. Só espero não corrê-la sozinho.

A partir de hoje paro de procurar o descanso, afinal de contas alguém já o encontrou para mim. Alguém que trabalhou muito mais que eu. Alguém que aos 33km concluiu o maior e principal trabalho de todas as nossas vidas juntas e que nunca reclamou do cansaço e da responsabilidade que estava sobre os seus ombros.

Assim a solução do dilema soa simples. Fé.

Sono e cochilos para o cansaço passado e fé (fôlego) para eliminar o cansaço futuro.

Vou continuar correndo...



sexta-feira, 21 de maio de 2010

Sobre renúncias

Renúncia, taí outra palavra que vem perdendo seu significado ao longo do tempo.

Sempre que ouvia essa palavra minha mente automaticamente a conceituava como algo nobre, ou seja, alguém que possuía um imenso direito abriu mão dele e do benefício dele em favor de outra pessoa. Mais ou menos como uma mãe que renuncia seu tempo e suas noites em favor do filho, ou então o avô que renuncia o dinheiro de sua aposentadoria para que o neto possa estudar em um colégio melhor. Invariavelmente a renúncia (na minha cabeça é claro) significa deixar, abandonar ou desistr de algo bom e não substituí-lo por nada além da vontade de fazer o que é certo, o que é bom.

Pois bem, os anos vão passando, o amor vai esfriando e a renúncia começa a ter outro sentido. Renuncio uma coisa que a meu ver não é tão boa assim em favor de outra que considero melhor. Deixo, abandono e desisto daquilo que não tem mais valor para mim e vou em busca de algo melhor.

A verdadeira renúncia foi exemplificada por alguém que abandonou toda a sua glória para que os nós-cegos (como eu) pudessem achar uma saída. De quebra substituiu o seu manto pela pele nua, sua coroa por espinhos, louvores por cuspos na cara e seu trono por uma cruz.

Realmente não se fazem mais renúncias como antigamente.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Grama do vizinho - Eles são feitos de carne

– Eles são feitos de carne.
– Carne?
– Carne. Eles são feitos de carne.
– Carne?
– Já não há mais qualquer dúvida. Capturamos diversos deles de diferentes partes do planeta, trouxemos a bordo das nossas naves de reconhecimento e submetemos a todo tipo de exame. Eles são completamente carne.
– Isso é impossível. E que dizer dos sinais de rádio? As mensagens para as estrelas?
– Eles usam as ondas de rádio para conversar entre si, mas os sinais mesmo não vêm deles. Os sinais vêm de máquinas.
– Então quem fez as máquinas? São esses que queremos contatar.
– Eles fizeram as máquinas. É o que estou tentando te dizer. A carne fez as máquinas.
– Isso é ridículo. Como é que carne poderia fazer uma máquina? Você está me pedindo para acreditar em carne autoconsciente.
– Não estou pedindo, estou dizendo. Essas criaturas são a única raça autoconsciente daquele setor e são feitos de carne.
– Talvez eles sejam como os orfolei. Você sabe, inteligência baseada em carbono que passa por um estágio de carne.
– Não. Eles nascem carne e morrem carne. Estudamos as criaturas por vários de seus ciclos de longevidade, que são bem curtos. Você faz ideia de qual é a vida útil de carne?
– Poupe-me. Tudo bem, quem sabem eles sejam só em parte carne. Você sabe, como os weddilei. Uma cabeça de carne com um cérebro de electroplasma dentro.
– Não. Pensamos nisso, já que eles têm cabeças de carne como os weddilei. Mas eu disse, examinamos os caras. São carne do começo ao fim.
– Sem cérebro?
– Ah, têm cérebro, sim senhor. A questão é que o cérebro é feito de carne! É o que estou tentando te dizer.
– Mas… o que é que faz a parte de pensar?
– Você não está mesmo querendo entender, não é? Está se recusando a assimilar o que estou dizendo. O cérebro é que faz a parte de pensar. A carne.
– Carne pensante! Você está me pedindo para acreditar em carne pensante!
– Exato, carne pensante! Carne consciente! Carne amorosa. Carne sonhadora. A carne é a questão toda! Você está começando a sacar ou devo começar de novo?
– Meudeus. Você está falando sério então. Eles são feitos de carne.
– Valeu. Finalmente. Sim. Eles são de fato feitos de carne. E vêm tentando entrar em contato conosco ao longo de quase cem dos anos deles.
– Meudeus. Então o que essa carne tem em mente?
– Primeiro quer entrar em contato conosco. Imagino que depois queira explorar o universo, contatar outras entidades inteligentes, trocar ideias e informação. O usual.
– Estão esperando que a gente entre em contato com carne.
– É essa a ideia. É a mensagem que eles vêm transmitindo pelo rádio: “Alô. Tem alguém aí. Alguém em casa.” Esse tipo de coisa.
– Eles falam, então. Usam palavras, ideias, conceitos?
– Ah, sem dúvida. Só que eles usam carne para fazer isso.
– Você acaba de me dizer que eles usam o rádio.
– Usam, mas o que você acha que está no rádio? Sons de carne. Sabe quando você sacode ou estala um pedaço de carne e ele faz um barulho? Eles conversam estalando a sua carne uns para os outos. Até conseguem cantar, esguichando ar pela carne deles.
– Meudeus. Carne cantante. Isso já é demais. O que você aconselha?
– Oficialmente ou extraoficialmente?
– Os dois.
– Oficialmente somos obrigados a entrar em contato, dar boas-vindas e protocolar toda e qualquer raça consciente ou multiseres deste quadrante do universo, sem preconceito, medo ou preferência. Extraoficialmente, aconselho que apaguem-se os registros e que esqueçamos a coisa toda.
– Eu estava esperando que você dissesse isso.
– Parece cruel, mas há um limite. Queremos de fato fazer contato com carne?
– Concordo cem por cento. O que haveria para dizer? “Alô, carne. Tudo bem?” Mas será que isso vai dar certo? De quantos planetas estamos falando?
– Só um. Eles podem viajar a outros planetas em contêineres especiais de carne, mas não podem viver neles. E, sendo carne, só podem viajar no espaço C, o que os limita à velocidade da luz e torna a possibilidade de chegarem a fazer contato bem pequena. Quase nula, na verdade.
– Então só temos que fingir que no universo não tem ninguém em casa.
– Exato.
– Cruel. Mas você mesmo disse, quem quer conhecer carne? E aqueles que estiveram a bordo de nossas naves, aqueles que vocês examinaram? Tem certeza de que eles não vão lembrar?
– Serão considerados malucos se lembrarem. Entramos no cérebro deles e alisamos bem a carne, de modo que somos apenas um sonho para eles.
– Um sonho para a carne! É estranhamente apropriado isso, que devamos permanecer sonho de carne.
– E marcamos o setor inteiro como desocupado.
– Muito bem. Está concordado, oficialmente e extraoficialmente. Caso encerrado. Algum outro? Alguém interessante naquele lado da galáxia?
– Sim, uma tímida mas doce colmeia inteligente de aglomerados de hidrogênio numa estrela classe nove na região G445. Chegou a manter contato há duas rotações galáticas, quer reatar a amizade.
– Esse pessoal sempre acaba voltando.
– E porque não? Imagine quão insuportável, quão inconcebivelmente frio seria o universo para quem estivesse sozinho nele.

They’re made out of meat, um conto de Terry Bisson

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Aos cansados - parte 2

Na verdade existem dois tipos de cansaço. O primeiro deles é fruto do desgaste físico e mental das nossas várias atividades e esforços. O segundo (e mais complexo) é fruto da expectativa dos problemas e esforços futuros, mais conhecido como ansiedade. E quando me dei conta disso descobri porque ultimamente não estou conseguindo usufruir do descanso.

As oportunidades criadas pelo primeiro tipo de cansaço são facilmente assimiladas por todos nós e nos fazem sentir orgulhosos. Ao contrário disso, a ansiedade não traz consigo nenhuma oportunidade positiva. Ela apenas nos faz cansar previamente, sem contudo nos mostrar qual o motivo. E quando não há motivo, não há nada do que se orgulhar.

Interessante não acha? o bom cansaço se produz do passado, já o mau cansaço se produz do futuro. Sendo o presente o elo de ligação entre passado e futuro, o fruto dos cansaços, seja o bom ou o mau estão sobre os nossos ombros AGORA.

Provérbios (12:25) diz claramente que a ansiedade gera apenas abatimento e quando somamos cansaço mais abatimento o produto dessa adição não é nada leve para carregar sobre os ombros.

Além disso, existe uma contrapartida para o bom cansaço passado. Você consegue enxergar o quando ele vale. Seja o salário no final do mês, a boa nota na prova, a formatura, o carro novo, o bom relacionamento familiar, a progressão profissional. No caso do cansaço futuro não conseguimos nunca mensurar se ele valerá a pena ou não. Pior, quase sempre chegamos a conclusão de que ele não valeu nada.

Zeca Pagodinho talvez tenha achado a fórmula para reduzir pela metade o cansaço... deixe a vida te levar!!

Como desconfio não ser essa a melhor alternativa, sigo cansado em busca de outras mais confiáveis.

E pra variar um cochilo no sofá com direito a acordar com a cara do meu amigo da foto.

Abraço e um bom cochilo aos cansados.


segunda-feira, 19 de abril de 2010

Aos cansados - parte 1

Tenho andado cansado, até mesmo para escrever. Sei que isso não é privilégio só meu e que muitos de vocês aí do outro lado da tela também devem estar, mas se esse não for o seu caso pode parar a leitura aqui.

Refletindo sobre ele descobri que o cansaço traz consigo algumas coisas positivas, senão vejamos: sempre que converso com outra pessoa cansada ela faz questão de enaltecer o cansaço pelas suas muitas responsabilidades e desafios, ou seja, o cansaço se deve a algo maior, a algo que ninguém mais poderia fazer em seu lugar, algo que cabe a você, a sua missão.

Os cansados se vangloriam do seu próprio cansaço como o resultado do engajamento e do trabalho concluído a cada dia. Eles tem o direito de comer, se fartar e desfrutar do prazer das suas conquistas. Assim Paulo ensinou em forma contrária dizendo aos preguiçosos que não comessem se não quizessem trabalhar. E quem não trabalha não se cansa.

Na maioria das vezes o cansaço é o preço a ser pago quando nos propomos a fazer algo mais ou extraordinário. Como já ensinava o sábio “não há preço a ser pago para fazer coisas ordinárias (comuns)”.

Além dos aspectos positivos o cansaço traz consigo oportunidades. Oportunidade de assaltar a geladeira nas insônias da madrugada; oportunidade de orar e meditar depois da refeição básica das 3 da manhã; oportunidade de apreciar o cochilo no sofá depois do almoço de domingo; oportunidade de desfrutar os momentos tranquilos com mais intensidade; oportunidade de merecer o trabalho e as responsabilidades colocadas sobre nós. E eu posso te garantir que tenho usufruído sobremaneira dessas oportunidades que o cansaço me dá.

O ponto é que o cansaço dá trabalho... ou o trabalho cansa, sei lá.

Minha única questão é que não consigo usufruir da melhor de todas as oportunidades do cansaço, descansar. Não que eu não saiba em Quem eu deveria.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Asas de Socorro

Divulgando o site de uns amigos...

http://www.asasdesocorro.org.br/

Abraço Emersson e Tinara, foi muito bom revê-los em Goiânia.

Que nossas asas nos ajudem a sair do chão, em todos os sentidos.

Del

quinta-feira, 25 de março de 2010

Intrusos

Não sei se já posso dizer que existe muito pouca coisa que me surpreende nesse mundo. O ponto é que por mais surpreendente que sejam as notícias tenho a impressão que os ciclos são inevitáveis e que as vezes estamos todos falando das mesmas coisas sempre. Alguma espécie de Dejavu (taí uma coisa em que minha curiosidade terá que ser saciada na eternidade).

Mas apesar dessas constantes “repetições” existe uma coisa que por mais antiga que seja até hoje me surpreende. Amizade.

Já houve quem atribuísse a importância dela ressaltando o fato de podermos escolher os nossos amigos, ao contrário do que acontece com nossos familiares por exemplo. Eu penso diferente. Meus melhores amigos é que me escolheram e nesse processo eu fui um mero coadjuvante.

Sem dúvida nossos contatos diários com as mais variadas pessoas é intenso, porém, algumas delas são diferentes e especiais e por mais que anos passem existe algo maior sendo construído a cada bate-papo e em cada encontro. O legado construído pela amizade derruba as barreiras do tempo e consegue unir o passado, o presente e o futuro. Conversas com verdadeiros amigos são verdadeiros tratados da convivência humana.

Que diferente química havia no relacionamento de Pedro, Tiago e João com Jesus que os aproximava tanto? Quais são as diferenças básicas entre conhecidos, colegas e amigos?

Acho que não há resposta definitiva para essas questões. No final me parece que amizade é auto explicativa e enquanto esses adoráveis intrusos continuarem aparecendo em minha vida não será necessário resposta alguma.

Mesmo não seguindo o exemplo do meu melhor amigo, que bate a porta antes de entrar, que me perdoem alguns de vocês, mas vi a porta aberta e fui chegando depois Dele.

Um abraço.

terça-feira, 9 de março de 2010

Ele morre - final

Talvez o que você esteja esperando desse texto seja o final apoteótico da história, então das duas uma: ou você ficará contente (no mínimo satisfeito) com o final ou vai querer me encontrar na próxima esquina para termos um acerto de contas pelo seu tempo perdido. Paciência, finais são assim e eu assumo minha responsabilidade como autor da história.

O ponto é exatamente este. O final da história pertence ao seu autor e é ele quem o decide, queira você goste ou não, e se fosse diferente as histórias perderiam a sua essência, a sua graça, o seu encanto.

O que chama atenção nessa história que estou contando é que o personagem principal já sabia que ele morreria no final. A cena toda, o jeito e a forma da morte já estavam escritos pelo autor. A decisão de morrer pelos seus inimigos já havia sido tomada na eternidade e o personagem em total servidão ao autor seguiu o roteiro na íntegra.

Mas uma coisa é verdade, os bons autores dão vida aos seus personagens. Após criados e assumindo os seus papéis no desenrolar da história, os personagens começam a interagir com o autor e de alguma maneira começam a se responsabilizar pelas cenas seguintes como se o improviso fosse idéia deles (personagens) e não do autor.

Se é verdade que há um autor em nossa história também é bem verdade que com o passar do tempo assumimos a responsabilidade pelos nossos improvisos em cena. Eu podia chamar isso de livre-arbítrio mas alguns achariam muito formal e careta, então chamo de improviso humano.

Naquele momento da morte, o improviso humano Dele coincidiu com o roteiro do autor e esse fato mudou para sempre as histórias que seriam contadas no futuro. A partir daquele dia quando o nosso improviso (livre-arbítrio) coincide com o roteiro original do autor de nossas vidas o final é extendido até a eternidade.

Ele morre para que a nossa morte não seja o fim, só mais um capítulo.

Nunca pensei que ouviria uma história onde o herói morre no final (por vontade própria) e isso não causa tristeza e sim gratidão. E essa é, de longe, a melhor história que eu já ouvi.

Fim... ou não, só depende do seu improviso.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Nada de mal

Um dos nossos grandes problemas desde sempre é achar que não há nada de mal nas nossas mais perversas práticas. Temos o terrível costume de justificar ações com um simples “não há nada de mal nisso”.

Situação complicada e estúpida essa nossa, você não acha? Vivemos nos iludindo e tentando nos enganar. A maior parte de nossos pensamentos são como buscas de álibis, de desculpas que nos forneçam alívio a consciência. Damos um “google” em nossos pensamentos e o resultado da busca são milhares de páginas com o brilhante conteúdo “nada de mal”.

O “nada de mal” é ainda mais perverso na boca dos hipócritas. Nada de mal para mim que sou um santo, tudo de mal para você que deve caminhar sob o jugo da Lei nos seus mais pesados detalhes. Jugo que só pode ser mais pesado se for atado as costas dos outros.

Jesus bem sabia disso e em todas as suas conversas com Saduceus e Fariseus trazia isso a tona com seus argumentos. Para quem procura o caminho da justificação pelos seus atos Ele deixou a lição de que deveriam superar o modelo de vida destes hipócritas.

Se você é um usuário do “nada de mal” não queira encontrar o “tudo de mal” nas costas dos outros. E se você gosta de fardos pesados então também os carregue.

Espero que você não tenha achado “nada de mal” no que escrevi. E só para ficar registrado meus fardos eram pesados, eu não gostava deles. Até o dia que descobri que a cruz era o perfeito depósito de fardos. Minhas dores nas costas desapareceram e minha cerviz está amolecendo a cada dia, TUDO DE BOM.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Ele morre - parte 3


O ponto final de uma vida é sempre doloroso. Em especial quando falamos de heróis, de ícones, de referências. A morte de um piloto num domingo pela manhã. Uma princesa nos destroços de um carro num túnel. Cantores que insistem em não morrer no coração e mente de seus fãs mesmo quando overdoses dizem coisa diferente.

Se o coletivo geral torce para a morte dos maus, ele sangra e sofre com o final dos bons. Mas se o final é certeza para todos, então que o final dos bons seja deslumbrante. Que o guerreiro morra na batalha, que o cantor morra cantando, que o pacificador morra buscando a paz, que o bombeiro morra resgatando e que o guarda-costas se jogue na frente da bala. Já que é para morrer, que ela tenha algum sentido. Se não há como a evitar que sofram os maus e que se encham de glórias os heróis.

Mas o que fazer quando o herói morre em favor dos maus? Esse final é esquisito, estranho. Os créditos começam a subir e a gente fica com aquela cara de paisagem repassando o filme e tentando entender o que aconteceu.

Ele morre. Mas desse jeito???

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Da nossa intolerância com a morte

Já não é de hoje nossa intolerância com a morte. Mas tenho a impressão que ela vem se acentuando com o passar do tempo. Por mais parodoxo que seja, nossos velórios já não são mais tão alegres quanto costumavam ser.

Minhas humildes explicações para isso são: em primeiro lugar nossa perspectiva de tempo; algumas vezes 10 meses parecem mais tempo que 10 dias. Você já reparou como fica nossa noção do tempo quando estamos planejando uma festa? Nos 10 meses que a antecedem a impressão é que vai faltar tempo para organizar tudo o precisamos, em compensação os 10 dias anteriores parecem os mais longos da história, a véspera nem se fale, os minutos parecem dias em nossa ansiedade e expectativa.

Como nós estamos a tempo esperando o dia de uma festa (as bodas do cordeiro) os dias que a antecedem parecem que se desenrolam em marcha lenta. Aí reside a noção de que o tempo em que levaremos para rever nossos avós, pais, amigos e irmãos será extremamente demorado.

De outro lado me enxergo como o profeta Elias que se viu angustiado por não ser melhor que seus pais a ponto de pedir a morte para si. A cada dia que passa nossa luta contra a iniquidade é maior e nadar contra a maré da profecia de que o amor de quase todos esfriaria é uma dura batalha.

Contra isso só nos resta pedir aos nossos pais que orem para que sejamos melhores que eles e orarmos a Deus pedindo que nossos filhos sejam melhores do que somos. Só assim teremos alguma chance contra a profecia e poderemos ser contados com aqueles poucos que ainda mantem o amor vivo.

Nossa única alternativa é mantê-lo vivo através das gerações até o dia em que o vejamos face a face. Todos juntos eu espero.

Em memória da minha querida tia Neusa. Ao tio Dedé, Ricardo, Zanza, Deise e Di.

P.S.: O céu será tão bom que terá uma rampa encerada para que os pançudos e pançudas escorreguem.

Fiquem com Deus. Beijo.

Del

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ele morre - parte 2

Esse negócio de acessar os “extras” e escolher um final alternativo serve principalmente para as pessoas acostumadas com finais felizes. E atire a primeira pedra aquele que não gosta deles.

Senão finais felizes pelo menos a retribuição e o pagamento aos que foram maus. Algo como os antigos filmes do Charles Bronson (Desejo de Matar 1, 2, 3, 4...). O cara bonzinho que sofre todo o tipo de violência, coisas do tipo: matam sua mãe, seu pai, seu cachorro, seus filhos e ainda colocam fogo em sua casa. Dá metade do filme em diante a vingança rola solta e o que prende a atenção do público é de que forma a vingança será feita.

Outro bom exemplo são as novelas. 300 capítulos de sofrimento e perseguição aos mocinhos para que na última semana tudo se resolva e o final feliz aconteça.

Não adianta, está impregnado em nossas cabeças. No final a vitória é de quem sobrevive. Os maus morrem, são presos ou terminam em hospitais psquiátricos e outras coisas que a mente dos vingadores constroem. Os bons vivem felizes para sempre.

Nem só de novelas ou ação vivem nossas histórias. Veja as comédias e os romances. Até mesmo nos dramas o roteirista se esforça para deixar uma mensagem final otimista depois de tanto sofrimento. Afinal de contas é o final.

Como imaginar que o herói morra? Nem com muita criptonita é possível aceitar que o super-homen fracasse na frente do Lex Luthor. Definitivamente nenhum super-vilão poderia ser capaz de parar um super-herói e ninguém gosta de assistir um final assim. O lado negro da força não pode vencer.

Mas por mais esforço que se faça ou opções que procuremos ainda não conseguimos mudar o final. Ele morre.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ele morre

Interessante como ninguém gosta que lhe contem o final de um filme ou livro quando você o está assitindo ou lendo, mas por outro lado todo mundo é curioso de como será o amanhã (responda quem puder, o que irá me acontecer?) e por aí vai.

Vez por outra recebo um panfleto entregue em algum sinal com as respostas para todas as minhas perguntas, “quer saber o futuro? Cartas, búzios e tarô”.

Será que a curiosidade só diz respeito as nossas vidas? Quando se trata da vida alheia podemos esperar pelo final? Duvido. Acho que só conseguimos não ouvir ou ler o final antes da hora quando temos certeza de que ele estará lá quando o DVD terminar ou quando a última página surgir. Assim não há problemas, posso me dar ao luxo de só saber das coisas futuras no momento exato, no momento em que eu achar mais conveniente.

Existe explicação para tudo isso, afinal de contas o que seria da trama se não fosse o seu final? Lá tudo se encaixa, faz sentido. Lá descobrimos (e as vezes somente lá) quem são os verdadeiros mocinhos e os bandidos. Lá repousa o maior segredo de todos. O assassino só surge de cara limpa nos últimos minutos ou páginas. Reviravoltas tremendas podem acontecer nos últimos capítulos.

Só conheço uma história em que o final já era conhecido muito tempo antes dela começar.

E como sou chato vou te contar de antemão um segredo: Ele morre...

Mas não se preocupe, depois te digo como acessar os extras e escolher um final alternativo.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Bem-aventurados os que choram

Longe de mim tentar ser um grande intérprete das escrituras, no mínimo curioso eu diria. Sigo a linha da dúvida, acredito que ela prova mais a minha fé do que minhas poucas certezas, ou seja, a fé é mais clara quando há mais coisas sem explicação do que quando existem provas para elas.

Estou dizendo isso porque nessa semana me deparei novamente com o texto “Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados” em Mateus 5:4 e ele me fez pensar.

Corta o coração de qualquer um ver o poder destruidor de um terremoto e a situação de pessoas levadas ao limite das condições humanas na briga por míseras porções de comida e água. É de fazer chorar o sofrimento de crianças sem seus pais e de pais sem seus filhos. Não há maior produtor de lágrimas do que rostos e corpos feridos em busca de resgate e salvamento.

Contudo, ao ler a frase de Jesus escrita em Mateus no famoso sermão do monte, cheguei a conclusão de que meu choro não é um choro passível de consolo. Eu não mereço o pagamento por esta bem aventurança. Esse não é o tipo de choro que merece o consolo divino.

Acredito que Jesus não falava do choro de quem assiste a distância as mazelas do mundo e que não faz nada para mudar a história da humanidade. Choro assim tem mais cara de arrependimento e vergonha do que sofrimento.

Bendito será o consolo divino para aqueles que realmente choram o choro do sofrimento. Dos pequeninos colocados a margem da vida digna. Se não há plantação sem a devida colheita também não haverá choro sem o seu devido consolo para estes “bem-aventurados” citados por Jesus.

O evangelho e seus paradoxos, como pode ser feliz quem chora assim?... sou muito novo em relação a eternidade para tentar responder essa pergunta.

Sigo chorando de arrependimento e vergonha sabendo que não mereço nenhum tipo de consolo por isso.

Uma dica errada

Como não devo ser diferente da maioria ainda me lembro dos desenhos animados que eu assistia na minha infância. Um deles até hoje me vem a mente toda a vez que eu tenho que fazer alguma escolha importante. O desenho era do Pluto (o cachorro do Mickey Mouse). A história era a do gatinho recém-adotado pelo seu dono e que de alguma maneira colocava em risco todas as regalias conquistadas pelo cachorro até então. O ciúme aos poucos ia tomando conta do cachorro todas as vezes que ele via o novo hóspede receber atenção e carinho do seu dono. Isso acontece até o momento que o gatinho cai em um poço, aí começa o duelo de consciência do Pluto. Repentinamente lhe aparecem o Pluto anjo e o Pluto demônio. Cada um com seu argumento para salvar ou não salvar o gatinho.

Alguns poderiam argumentar que o processo é perfeitamente explicável através de duas palavras: tentação e resistência. O demônio está sempre dando a dica errada e o anjo (Espírito Santo) te aconselhando a resistí-la. Algo parecido com o que Paulo disse: “Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.” (Rm 7:18-19). Ou seja, temos uma queda pela dica errada.

Mas acho que tem saída para o problema. A dica errada parece certa. Assim sendo, se já sei que a dica errada é a que mais parece certa então é só optar pela que parece errada. Certo?... humm, não sei. Acho que posso me confundir na hora e optar pela errada que mais parece certa e pensar que a certa era a errada ou vice-versa. Tudo é muito rápido... “sem querer” posso escolher o errado pelo certo. Que confusão.

Na realidade o difícil é escolher a favor daqueles que na minha visão estão atrapalhando, estão incomodando, estão jogando contra e puxando meu tapete. A lógica joga a meu favor nesses momentos. Toda decisão que me beneficia parecer ser a escolha correta e ninguém em “sã” consciência me condenaria por isso. Só estou me preservando, nada mais. Mas pela ótica divina o certo aos nossos olhos nem sempre o é aos olhos de Deus.

No desenho o Pluto acaba resistindo a tentação de deixar seu “inimigo” morrer afogado e mesmo correndo o risco de ter que dividir suas regalias o salva. O resultado é um novo e bom amigo cheio de gratidão.

Acho que Jesus quis dar essa dica quando disse: “Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;”

Parece uma dica errada mas não é.

Mas que as vezes dá vontade de afogar uns e outros, isso dá – bem disse Paulo. O segredo é resistir e ver a dica errada (que parece certa) fugir de você (de nós).

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sinto o cheiro

Qual a memória mais antiga que você tem? Não sei se você já fez esse exercício de buscar em suas memórias qual a mais velha de todas elas. Até que ponto você consegue regredir? juventude, adolescência, infância? Do que se lembra? Apenas imagens, sons, ruídos, cheiros? Alguns médicos dizem que esse tipo de exercício pode fazer com que a perda de memória demore mais a chegar – demore, porque chegar ela vai, apenas questão de tempo.

Acho que já contei isso para algumas pessoas. Na minha memória mais antiga estou pulando num sofá meio alaranjado meio amarelo, usando uma camiseta azul com um desenho de um bichinho na frente, não me lembro ao certo qual. Minha mãe diz que provavelmente se trata de minha infância em São Paulo a muito tempo atras.

Mas também tenho memórias auditivas e principalmente “olfativas”. Nunca me esqueci (e nem quero) do cheiro da minha primeira bicicleta e ainda me lembro do cheiro da casinha que tínhamos atrás de casa. Quando busco no Winchester da minha caixola (nota de utilidade pública aos mais piás: winchester = disco rígido ou HD (hard disk) num passado não muito distante) consigo, de alguma maneira que não sei como, sentir de novo aqueles cheiros. O curioso é que só consigo me lembrar dos cheiros bons. Não me lembro de nenhum cheiro ruim do passado.

O salmista pedia a Deus que lhe ensinasse a contar os dias, de tal maneira que alcançasse um coração sábio. Além disso eu também peço: me ensine a contar meus dias sem me esquecer de sons, imagens e principalmente das boas fragâncias.

No antigo testamento os sacerdotes lançavam azeites e incensos como memoriais nos altares. Ofertas queimadas de cheiro suave ao Senhor, demonstrando que o cheiro, a fragância das coisas deve ter alguma importância para Deus. Nós mesmos ainda dizemos: “Isso não está me cheirando bem.”, deve ter alguma ligação. Coisas boas tem cheiro bom e não há como fazer coisas ruins nem mesmo cheirarem bem.

No novo testamento o maior sacrifício de todos criou uma nova memória nas narinas de Deus. Um novo padrão de fragância. A partir daquele momento qualquer um pode chegar perto Dele mas para isso precisa usar a fragância certa, o perfume certo.

Cheiro de nova criatura.

Com esse perfume Deus não se esquece do meu cheiro assim como não me esqueço do cheiro da minha antiga bicicleta. Na verdade “nova” bicicleta.

Bom, eu já estou sentindo o cheiro das minhas férias e espero lembrar dele por pelo menos mais um ano.

Escrevo mais na volta.

Até.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Diga-me como andas e te direi quem és


O jeito de uma pessoa andar revela muito sobre ela. Pelo menos é isso que alguns antigos americanos diziam. Sempre que viam alguns folks caminhando com as pernas um pouco abertas falavam com certeza que o camarada era um vaqueiro (um cowboy).

Hoje em dia não é só pela forma de caminhar que conseguimos adivinhar as preferências e o estilo de vida de algumas pessoas. Podemos observar médicos e enfermeiros vestindo branco; “Maurícios” e “Patrícias” na última moda; skatistas com suas cuecas a mostra; metaleiros com seus cabelos nem sempre bem lavados; surfistas com suas pranchas na Parati; e os cowboys e cowgirls modernos que mesmo sem nunca terem montado num cavalo usam suas calças justas, chapéus e cintos fivelados.

O meu caso por exemplo, 35 anos, com alguns quilos a mais e com um problema sério no joelho operado... você logo faz a ligação: um (ex)craque do futebol (arte). Ou você ainda não notou que só os craques tem problemas no joelho? Resultado de muitos dribles e faltas dos adversários (os “João” como Garrincha costumava chamar os zagueiros). Tá bom, concordo, não foi lá um grande exemplo.

Se você já leu alguma carta do apóstolo Paulo vai ver que ele falou muito sobre a forma do cristão andar. É claro que o “andar” aqui não significa o jeito físico mas sim os comportamentos, atitudes e a conduta de vida que distinguem aqueles chamados de cristãos. De acordo com Paulo, se você anda como um cristão, as pessoas o identificam como tal a milhas de distância, ou seja, mesmo sem serem seus íntimos amigos reconhecem em você alguma coisa diferente. Um “jeitão diferente”.

Até que não é tão difícil frequentar lugares, participar de grupos, sentir coisas, estudar diligentemente, ler a bíblia e orar. O difícil é “andar” de um jeito diferente, um jeito que as vezes parece loucura.

Mas não há como ser reconhecido por coisas que você sente mas apenas por coisas que você faz. Dizer que sente amor pelas outras pessoas mas não expressá-lo de nenhuma maneira não caracteriza esse “jeitão diferente”.

Por todos esses motivos tomo a liberdade de não concordar com um dos conceitos mais arraigados do coletivo social, a célebre frase “diga-me com quem andas e te direi quem és”.

Para seguirmos esse conceito teríamos que concordar que o Mestre (só Ele pode ser chamado assim) andou nesse mundo cercado das mais altas autoridades, de homens e mulheres ilibados, de pessoas castas e puras (santas e santos), dos políticos mais honestos, dos juízes e militares mais justos, dos mais tolerantes, humildes, sábios... e por fim das pessoas mais amorosas da face da terra.

Agora, se me lembro bem não é isso que está registrado nas escrituras... só se Mateus, Marcos, Lucas e João tenham se enganado na hora de transcrever com riqueza de detalhes as pessoas com quem Ele andava.

Como bem criticou Gandhi – que acreditava nos ensinos de Jesus mas menosprezava o cristianismo porque seus seguidores definitivamente não O imitavam – nossas ações devem espelhar as de Cristo. Precisamos parar de olhar com preconceitos para as pessoas e adotar uma postura de separação. Nosso papel deve ser o contrário disso, devemos estar dispostos a andar junto um dos outros, principalmente dos que mais necessitam.

Uso aqui (de novo) a frase de Francisco de Assis: “Pregue o evangelho sempre e quando necessário use palavras”.

Não podemos ser definidos pelas pessoas que nos rodeiam, mas como nos portamos no meio delas e para elas.

Então... Diga-me como andas e te direi quem és. Nesse conceito eu acredito.


segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Feliz todo dia


De acordo com alguns estudiosos da sociedade um dos grandes problemas das novas gerações para alcançar novas conquistas na vida é a Procrastinação (ato de deixar para depois, adiar ou postergar).

Não muito longe disso, a maioria dos livros e vídeos de auto-ajuda se focam nesse ponto repetidas vezes. Parece que a máxima “não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje” está perdendo espaço em meio a pessoas que esperam ganhar dinheiro (com o mínimo esforço possível) para então não fazer mais nada, seja hoje ou amanhã.

Se você é responsável por uma casa ou pela manutenção de algo vai ver que sempre há um conserto a se fazer e que caso não seja feito no tempo correto o problema só aumenta, chegando as vezes a não ter mais solução. Se você é um empresário, trabalhador autônomo ou contratado vai ver que deixar de fazer as coisas no tempo certo significa perder dinheiro ou o emprego.

Me incomoda ler algumas biografias e constatar que grande parte dos homens e mulheres do passado fizeram muito mais do que nós sem contar com 1/10 dos recursos tecnológicos que dispomos hoje e com uma expectativa de vida muito menor que a nossa. Com o passar do tempo temos perdido esse senso de urgência e a visão de que nossa existência tem um propósito. Vivemos por viver e fazemos coro deixando ela (a vida) nos levar quando e como quiser.

Há quem diga que o futuro nos reserva um ambiente de “ócio criativo”, eu duvido, tenho visto muito mais ócio que criatividade na maioria dos mortais, ou pelo menos a busca dele. Assim como a fé é morta sem as obras, me permito dizer que a criatividade sem o trabalho também é. Não acredito que as mentes mais criativas desse planeta dormem e acordam com seus trabalhos prontos sem nenhuma dedicação ou persistência.

Se olharmos atentamente ao nosso redor, em que pese todo o avanço da sociedade, ainda há muito o que fazer em todas as áreas de nossa vida – pessoal, profissional, afetiva e espiritual. Ainda há muito o que se estudar, aperfeiçoar, criar, desenvolver e produzir. Ainda há muito o que se fazer debaixo do céu assim como haverá acima dele. Não fomos criados para o descanso (ócio), ele deve vir como consequência de uma vida produtiva e criativa ou criativa e produtiva – nesse caso a ordem dos fatores também não altera o produto, apenas a falta de algum deles.

Como diz o sábio escritor de provérvios: “A alma do preguiçoso deseja, e coisa nenhuma alcança, mas a alma dos diligentes se farta.”

Outro sábio contou uma história em que três homens estavam discutindo sobre o melhor momento para cortar um bom galho de árvore para fazer uma enxada. Um disse que o melhor momento seria na primavera, quando a seiva estava subindo. O galho então seria forte e flexível. Outro disse que o verão seria o melhor momento, porque a madeira estaria no topo de sua forma. O terceiro homem disse que ambos estavam errados - outono seria a melhor época, quando a seiva tivesse amadurecido e aperfeiçoado a madeira. Então um velho fazendeiro desceu a rua e, disseram eles: "Vamos perguntar a ele. Diga-nos, qual é o melhor momento para cortar um galho para se fazer uma enxada?" Ele respondeu: "Quando vocês o verem. Ele pode não estar lá da próxima vez que passarem por ali!".

Então é isso. Temos um ano novo em nossa frente, melhor fazer agora... só passaremos por ele uma única vez.

Depois tente adivinhar quem vai se fartar.

Aos diligentes, feliz 2010... ou melhor, feliz todo dia.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Crepúsculo e Lua Nova


Quando eu era criança insistia para assistir filmes de terror junto com meus primos mais velhos. Apesar dos conselhos de minha querida Tia Alice (mãe 2) que me dizia que se assim o fizesse não conseguiria dormir a noite, parece que a curiosidade sempre era maior que o medo, afinal de contas todo mundo falava das forças do mal, de “visagens” e da atuação do diabo, e eu queria de alguma maneira entender um pouco melhor o que isso significava. Pois bem, tudo acontecia como dito pela Tia Alice, eu assistia os filmes, me borrava de medo e não conseguia dormir de noite... mesmo dormindo junto com ela, dormir sozinho nem pensar.

Esse era um tempo onde a face do mal era explícita a quem a olhasse, onde os monstros (lobisomens ou vampiros) não tinham nada de bonzinhos e nem eram personagens de romances. Uma época onde ficava claro a divisão entre as forças do bem e as forças do mal. Um período onde a alma dos seres humanos era o motivo dos esforços e planos do “lado negro da força” (como diria Darth Vader).

Quando assisto as recentes produções envolvendo os monstrengos antes tão temidos (vampiros e lobisomens) vejo lances e movimentos escondidos que me preocupam. Em primeiro lugar a diferença entre o bem e o mal fica cada vez menos visível. Parece que o mal não é tão mal assim e que o bem não possui as mesmas “virtudes” dos amaldiçoados. É totalmente non sense mas isso de alguma maneira desperta uma curiosidade e uma sedução diferente nas pessoas (principalmente nos teenagers).

Além disso temos o fator beleza. O mal nunca foi tão belo e sedutor como agora. Que o digam as adolescentes perdidamente apaixonadas por lobos sarados e vampiros modelos. Há aquelas que não se preocupariam nenhum um pouco em entregar até mesmo a sua alma para passar a eternidade ao lado deles... e esse é efetivamente o enredo da série, uma “Bella” jovem disposta a tudo para ficar com seu amado, nem que isso signifique abrir mão do que lhe é mais precioso, sua alma.

Tempos modernos, o que antes me causava pesadelos, hoje é motivo de sonhos sedutores para as meninas e a razão da moçada se entupir de esteróides para ficar com a barriguinha sarada do Jacob.

Prefiro não dormir a noite mas ter a certeza que o mal ainda é mal.

Ironicamente não viam beleza alguma no carpinteiro e Ele era a expressão máxima do bem. Graças a Deus Ele já comprou a minha alma e eu não posso entregá-la a mais ninguém.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Na banguela

Se você se identificou com o título deve ser “das antiga” ou então fã do Roberto Carlos. E apenas para constar (para aqueles que não conhecem o termo) não estou fazendo nenhuma menção a uma senhora desprovida de dentes.

Final de ano chegando temos o costume de ir “na banguela” nesses últimos dias. Ponto morto total. O que podia (ou devia) ser feito já foi, agora não adianta mais nada a não ser aguardar o bendito ano novo e ver o que conseguimos nos próximos 365 dias.

Se há uma coisa que não podemos reclamar é o fato de que o tempo é igual para todos. Não existem dias de 24 horas para uns e de 25 para outros. Cirurgias plásticas e tinta para os cabelos não fazem o tempo parar, embora possam dar a impressão que sim. Pode ter a certeza que os dias de 2009 foram distribuídos de forma equânime para todo mundo. Alguns usaram o seu pedaço de maneira produtiva e outros não, paciência, poder de escolha, essa é a vida.

Quanto a mim termino o ano muito satisfeito e grato a Deus por tudo o que rolou.

Agora vou pegar carona no caminhão do João e usar o meu quinhão de tempo nesse final de ano “na banguela”.

Se vale o conselho, faça o mesmo... até Deus descansou.

“Blogueamos” mais em 2010 se Deus quiser. Fiquem com Ele.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Do Dó ao Si


Quem teve a brilhante idéia de combinar frequências que seriam diferentemente percebidas pelo ouvido humano?

Em qual mente foi construída a noção de que algo que não podemos tocar nos tocaria de maneira tão especial?

Quem imaginou que sons teriam o poder de inspirar, acalmar, instigar, de emocionar?

Quem sugeriu que vozes, sopros e batidas seriam canais de proliferação desses sinais?

Porque somente 7? Quem pensou que poderia caber tanta coisa num intervalo tão pequeno?

Quem deu a dica que a multiplicação de 7 colocaria em escalas uma percepção de grave e agudo?

Me diga quem foi o responsável pela criação do estoque inesgotável de matéria prima para os compositores?

Quem disse que os caminhos que poderiam ser criados utilizando 7 ladrilhos produziriam trilhas imensas?

Quem por um momento percebeu que nesses caminhos andariam nossos sentimentos e emoções?

Quem decidiu quebrar o silêncio eterno e colocar sons em nossas vidas?

Como o ar ficou sabendo que ondas caminhariam através dele até atingirem corações?

Que ser bondoso criou uma linguagem universal na confusão de tantas línguas?

Quem será o autor de tudo isso?... com certeza é um artista.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Nasceu hoje


(*) Escrito para o especial de Natal IEAD Fazendinha

Nasceu ontem o meu desejo de ser como Deus.
Nasceu ontem minha intenção de conhecer o bem e o mal.
Nasceu ontem a minha vontade de ir e vir sem dar satisfação à ninguém.
Nasceu ontem o meu desejo de ser maior que todos.
Nasceu ontem a minha estranha vontade de olhar apenas para mim.
Nasceu ontem minha ânsia de viver apenas para saciar meus desejos.

Nasceu hoje um menino.
Nasceu hoje a esperança.
Nasceu hoje a salvação.

Morreu ontem um homem... Nasceu hoje um novo EU.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Natal sem graça


Não está adiantando. Mesmo falando, pregando e insistindo a cada ano que passa o Natal fica mais sem graça. Por mais que se faça não estamos conseguindo deixar de banalizar a data, o momento, a oportunidade. Se você dúvida do que estou falando comece a prestar atenção nas filas para entrar no shopping center a partir de hoje.

Oh não!! Você é daqueles que fica nervoso com a fila do shopping?? Então você já se perdeu. O natal está começando a ficar sem graça para você também.

“Meu Deus, quando vou ter tempo para comprar todos os presentes? Será que vou conseguir pagar as contas e ainda comprar tudo o que preciso com o décimo terceiro? Ahh... acho que ele/ela vai entender, esse ano não vou conseguir presentear todo mundo... só vou comprar presentes para as crianças. Será que vai caber tudo na geladeira? O preço do peru está pela hora da morte (principalmente do peru)”.

Também existe a turma depressiva: “Não gosto do natal, fico triste nessa época.”. Já ouviu isso?

Tudo bem, você pode dizer: “Grande novidade que você está falando (escrevendo). Todo ano, todo mundo fala isso.”. É verdade, até isso já está ficando sem graça. Todo ano a mesma coisa: vamos lembrar de Jesus, o aniversariante... já não vejo mais presépios... na minha época não era assim... blá, blá, blá e blá.

Então vamos seguir para o processo mais humano que pode existir, vamos achar o(s) culpado(s) pelo natal cada vez mais sem graça. Algumas pistas iniciais: as multinacionais do consumo correndo atrás dos lucros; a pós-modernidade; o marketing; nós (os consumistas inveterados); a teologia da prosperidade; o papai Noel; o pessoal do trabalho que não passa sem um amigo secreto; aquele parente que fica chateado se não ganhar nem uma lembrancinha; as crianças que esperaram o ano todo para ganhar o presente; e outras tantas possibilidades.

Interessante, estou olhando a lista de suspeitos e acho que temos bem mais de um culpado. Será que existe alguém inocente nisso?? Não enxergo nem um justo sequer.

A culpa do Natal sem graça sem dúvida não é de Jesus. A graça só foi possível por causa Dele. Todo natal sem Jesus é um Natal sem graça... uma verdadeira desgraça!!

Toda vez que damos algo para o João falamos logo em seguida: “E o quê você diz agora filho?”, ele responde: “Obrigado pai, obrigado mãe.”... Experimente trocar todas as “tradições natalinas” por um simples OBRIGADO sincero à quem de direito. Te garanto que não vai faltar GRAÇA no seu final de ano.

Um feliz natal cheio de GRAÇA para você.

P.S.: Caso a mensagem não tenha surtido o efeito esperado, segue a mesma dica sem graça de sempre: “Vá ao shopping o quanto antes porque depois fica uma loucura. Brasileiro deixa tudo para última hora.”