quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Melhor assim - Parte 3

Afinal de contas, quem pode definir o seu destino? Será que já está tudo escrito mesmo? Pensamentos e perguntas rodeavam os pensamentos de Isaura. Emoções e sentimentos que se misturavam com a preocupação em não atrasar o jantar de Pedro.

Com o passar das horas ela começou a refletir sobre a maluquice que estava fazendo. “Isso aqui é um lugar de loucos. Não sei o que estou fazendo aqui. O Pedro vai me matar hoje.”, pensava Isaura enquanto Lourdes tentava tornar aquela reunião agradável e entendível para ela.

De repente um homem esguio, com um terno surrado e uma gravata esquisita assume o microfone e começa a falar calmamente. No início as palavras dele pareciam emocionais demais para Isaura mas um tempero e um apelo no ar a fez querer prestar um pouco mais de atenção a tudo aquilo.

Um discurso meio sem nexo. Ela não entendia quase metade do que ele falava mas gostava da convicção com que ele pronunciava cada frase. Quando começou a ligar os pensamentos dele ela quase começou a dar risadas. “Não é possível! É isso mesmo que ele está dizendo? Definitivamente estou no meio de loucos. Quem pode acreditar numa tolice dessas?”. Isaura começou a ficar incomodada com aquilo tudo e disse a Lourdes que queria ir embora. Lourdes insistiu para que ela esperasse um pouquinho mais. “Assim que ele terminar podemos ir.” lhe garantiu sua vizinha.

Não mais que por acaso o discurso dele começou a mudar e as maluquices sobre um povo que iria desaparecer deram lugar a possibilidades de recomeço, de perdão e descanso. Isaura nunca havia escutado aquela história antes tão conhecida contada daquela forma. Um certo silêncio apareceu em sua alma e nenhum barulho externo parecida incomodá-la mais. Era como se aquela história fosse a dela e aquele remédio fosse o que ela mais precisasse.

“A Lourdes contou tudo para ele. Eu mato ela. Isso que dá confiar nas pessoas. Bem que o Pedro me disse!” esta era a única explicação que Isaura encontrava para aquelas súbitas palavras ditas por um homem que ela nunca tinha visto antes.

Mesmo assim lágrimas começaram a lhe molhar a face e a hora do jantar de Pedro não lhe incomodava mais.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Grama do vizinho - Max Lucado

Testemunhas oculares da sua Majestade

O cristianismo, em sua forma mais pura, não é nada mais do que ver Jesus.

O exercício cristão, em sua forma mais pura, não é nada mais do que imitar Aquele que vemos.

Ver Sua Majestade e imitá-lo, essa é a essência do cristianismo.

Por cinquenta e um anos Bob Edens foi cego. Ele não conseguia enxergar nada. Seu mundo era uma sala escura de sons e cheiros. Ele tateou o seu caminho por cinco décadas de escuridão.

E depois, ele conseguiu enxergar.

Um cirurgião habilidoso realizou uma operação complicada e, pela primeira vez, Bob Edens pôde enxergar. Ele achou impressionante. “Eu nunca sonharia que o amarelo fosse tão... amarelo”, ele exclamou. “Eu não tenho palavras. Estou maravilhado com o amarelo. Mas o vermelho é a minha cor favorita. Simplesmente não consigo acreditar no vermelho.

“Posso ver o formato da lua – e o que eu mais gosto é ver um avião a jato atravessando o céu e deixando um rastro de vapor. E claro, o nascer do sol e o pôr do sol. E à noite eu olho para as estrelas no céu e para a luz piscando. Você nunca conseguiria saber o quão tudo é admirável”.

Ele está certo. Nós que vivemos uma vida com visão não conseguiríamos saber o quão admirável deve ser receber a visão.

Mas Bob Edens não é o único que passou uma vida perto de alguma coisa sem enxergá-la. São poucas as pessoas que não sofrem de alguma forma de cegueira. Surpreendente, não é? Podemos viver perto de alguma coisa por uma vida, mas a menos que tomemos tempo para focarmos nela, ela não se torna parte de nossas vidas. A menos que nós, de alguma maneira, tenhamos nossa cegueira retirada, nosso mundo é apenas uma caverna escura.

Pense nisso. Só porque alguém testemunhou mil arco-íris não significa que ele viu a grandeza de um. Alguém pode viver perto de um jardim e falhar em focar no esplendor da flor. Um homem pode passar uma vida com uma mulher e nunca parar para examinar a sua alma.

E uma pessoa pode ser extremamente boa e ainda assim nunca ver o Autor da vida.

Sermos honestos, éticos ou até mesmo religiosos não necessariamente significa que nós o veremos. Não. Nós podemos ver o que os outros veem nele. Ou podemos ouvir o que alguém diz que ele disse. Mas até que nós o vejamos por nós mesmos, até que recebamos a nossa própria visão, podemos achar que o vimos, tendo na realidade visto apenas uma forma vaga na penumbra cinzenta.

Você o viu?

Você já teve um vislumbre da Sua Majestade? Uma palavra é colocada em uma fenda receptiva do seu coração que faz com que você, brevemente, veja o seu rosto. Você ouve um versículo lido em um tom que você nunca tenha ouvido ou explicado de uma maneira que você nunca tenha pensado e mais uma peça do quebra-cabeça é encaixada. Alguém toca seu espírito dolorido como apenas alguém enviado por ele poderia fazer e aí está ele.

Jesus.

O homem. O Galileu bronzeado que falava com uma autoridade trovejante e amava com uma humildade infantil.

O Deus. Aquele que afirmou ser mais velho que o tempo e maior que a morte.

Foi-se a pompa da religião; dissipou-se a névoa da teologia. Momentaneamente é levantada a cortina opaca da controvérsia e da opinião. Os nossos erros cegos e egoísmos são apagados. E lá está ele.

Jesus.

Você o viu?

Os primeiros que o viram nunca mais foram os mesmos.

“Senhor meu e Deus meu!”, bradou Tomé.

“Eu vi o Senhor”, exclamou Maria Madalena.

“Vimos a sua glória!”, declarou João.

“Não estava queimando o nosso coração enquanto ele nos falava?” alegraram-se os dois discípulos a caminho de Emaús.

Mas Pedro expôs melhor. “Nós fomos testemunhas oculares da sua majestade”.

Sua Majestade. O imperador de Judá. A sublime águia da eternidade. O nobre almirante do Reino. Todo o esplendor do céu revelado em um corpo humano. Por um período tão curto, as portas da sala do trono foram abertas e Deus se aproximou. Sua Majestade foi vista. O céu tocou a terra e, como resultado, a terra pode agora conhecer o céu. Surpreendentemente um corpo humano abrigou a divindade. O santo e o terreno entrelaçados.

Já faz algum tempo que você o viu? Se as suas orações parecem gastas, provavelmente faz. Se a sua fé parecer estar vacilante, talvez sua visão dele tenha obscurecido. Se você não consegue achar força para encarar os seus problemas, talvez seja hora de encará-lo.

Um aviso. Alguma coisa acontece a uma pessoa que tenha testemunhado Sua Majestade. Ela se torna viciada. Um vislumbre do Rei e você é consumido por um desejo de ver mais dele e falar mais sobre ele. Esquentar o banco da igreja não é mais uma opção. A religião de má qualidade não será mais suficiente. A procura de sentido é desnecessária. Uma vez que você tenha visto a sua face você sempre almejará vê-la novamente.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Melhor assim - Parte 2

- “Você vai gostar Isaura. Acredite em mim!”. Disse Lourdes, sua vizinha.
A muito tempo Isaura vivia em conflitos interiores. O casamento com Pedro não foi bem o conto de fadas que ela imaginava desde menina. O nascimento de Guilherme. Aquela pressão enorme de Pedro para que ela abortasse. A sua resistência e luta para que isto não acontecesse. Todo aquele tempo se preocupando em cuidar da casa e fazer com que o seu casamento melhorasse estava cobrando o seu preço.
Anos acumulando dores, sofrimentos, culpas e angústias produziram um fardo emocional e espiritual tão pesado que suas costas começaram a se curvar fisicamente. Aquela menina sonhadora e cheia de vida não existia mais e em seu lugar surgia uma mulher amargurada e sem esperanças. Cada dia era uma batalha travada por um exército de uma mulher só.
Lourdes era sua única amiga. Ela vivia de uma maneira totalmente diferente de Isaura. Embora muito mais velha, com filhos criados e casados, ela ainda mantinha um ar jovial e alegre. Raramente ficava em casa e sua vida era recheada de compromissos e propósitos. Um deles era mudar a vida de Isaura. Ela sabia como e nada ia a impedir de fazer com que aquela linda moça reencontrasse a esperança e a razão de viver.
Lourdes sabia como e aonde Isaura devia abandonar aquele fardo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Melhor assim - Parte 1

Outra vez, tudo igual. De nada adiantaram as promessas, as juras de amor e de perdão. Lá estava Isaura, mais uma vez a sua mercê, debaixo de calúnias, palavras ríspidas, socos e pontapés. Pedro não se controlava, o ciúme doentio o tomava de uma forma avassaladora. Os pensamentos tomavam a sua mente e era impossível para ele acreditar não haver algum motivo a mais para Isaura dedicar tanto tempo naquele lugar, com aquelas pessoas. Além disso, ela tinha mudado, seu semblante era outro, suas palavras eram outras, ela até estava se arrumando melhor, suas atitudes em relação a ele também mudaram. E embora o tratamento dela com ele tivesse melhorado, para Pedro o incômodo, a dúvida e o ciúme aumentavam na mesma proporção. “Ela só pode estar fazendo isto porque me deve alguma coisa”, pensava consigo mesmo. O resultado de tantos pensamentos maus vinha à tona em forma de espancamento.

Mas desta vez Isaura não reagiu, sofreu calada todos os xingamentos, todos os palavrões, todo aquele calvário. Os tapas e socos com o sangue quente do momento não produziam dor física tão grande quanto a humilhação que ela sentia. Mesmo com Pedro em seu encalço ela correu para a porta do quarto e a fechou. Não queria que Guilherme acordasse e presenciasse aquela cena. Caso isto acontecesse a vergonha seria ainda maior. “Deus, não deixe que nosso filho veja isto.” era a oração que ela fazia em espírito.

Por mais que Pedro tentasse se controlar era como se alguém dissesse em seu ouvido: “Ela merece. Talvez apanhando ela aprenda”. Observando a inércia de Isaura, que sofria tudo calada – muito diferente das outras vezes em que ela também tentava agredi-lo – Pedro resolveu usar mais força. Agarrou-a pelo pescoço e a sufocou deitada na cama. Isaura então começou a se debater, agora temendo por sua vida. Em sua mente orava e tentava entender porque tamanha violência, afinal de contas, apesar das agressões anteriores naquele dia ele parecida mais irado do que nunca.

A ira de Pedro era tanta que a possibilidade de mata-la ali, naquele instante, passou por sua mente. Foi quando ele observou que o semblante de Isaura começou a mudar. Era como se ela olhasse para alguma coisa muito além do teto daquele quarto. Ela parou de se contorcer, parecia que o pânico e o medo tinham sido repentinamente tirados dela. Pedro se assustou com aquilo tudo. Afrouxou sua mão pensando que ela havia morrido mas logo percebeu que ela respirava calmamente.

Isaura permaneceu imóvel com os olhos fitos em algo que ele não conseguia enxergar. De repente, como num passe de mágica, num piscar de olhos, Isaura simplesmente desapareceu bem debaixo dele. Pedro deu um pulo para trás tremendo de medo e espanto. Com a respiração e o coração descontrolados começou a suar frio. Sua vista começou a se perder e ele pensou que ia desmaiar. Se apoiou no guarda roupas a ponto de quase colocar a porta já capenga abaixo.

Rapidamente tentou reordenar seus pensamentos e emoções no meio daquela confusão toda e imediatamente começou a procura-la pelo quarto. Olhou embaixo da cama, no vão entre o guarda roupas e a parede e no pequeno banheiro do lado esquerdo do quarto. Olhou atordoado para a porta e viu que ela estava fechada. “Como pode isso? Cadê você Isaura? Eu vou te achar sua vagabunda!”, disse aos berros.

O relógio em cima do criado mudo marcava 0:00.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Quem tem ouvidos ouça

“Ouça a sua vida.” O conselho é de Frederick Buechner, escritor e teólogo. Em 2011 essa foi a minha tarefa diária, meu compromisso comigo mesmo e com Deus. Passei um ano afinando os ouvidos do espírito e da alma, tentando descobrir a minha partitura numa música escrita a quatro mãos. Descobri que aprender a contar os anos de modo a alcançar um coração sábio não é lá tarefa fácil, mas é muito prazerosa.

Somos extremamente letrados em ouvir e perceber o mundo, a sociedade, as idas e vindas econômicas e políticas e o movimento das marés, porém, na maioria das vezes somos como surdos quando se trata de nos ouvir, ouvir a nossa vida.

Ouvir sua vida pode lhe mostrar o quão inteligente e ignorante você é e talvez por isso poucos se ocupem deste tipo de audição. Sabedoria e inteligência não são sinônimos e só ouvidos afinados com o passar dos anos podem sutilmente ir percebendo as nuances desta diferença.

Ouvi este ano de uma maneira nunca ouvida antes. Ouvi minha casa, ouvi minha família, ouvi meus amigos, ouvi minha igreja, ouvi meus irmãos, ouvi Deus. Conheci muita gente e ouvi sons afinados e desafinados vindo delas. Viajei geograficamente e espiritualmente com trilhas sonoras diversas que despertaram em mim os mais variados sentimentos e emoções.

Ouvi o som produzido pelos cristãos e pelos fariseus, pelos ricos e pelos pobres, pelos influentes e pelos influenciados, pelos jovens e pelos velhos, pelos adoradores e pelos religiosos, pelos loucos e pelos sãos, pelos amigos e pelos inimigos. Ouvi barulhos, rumores, suspiros, aclamações, reclamações. Ouvi gratidão, ingratidão, reconhecimento e fofocas. Ouvi.

E como foi bom ouvir isso tudo. Como é bom!

Te convido a ouvir! Te garanto que no meio de tantas vozes uma certamente vai sobressair. Quando seus ouvidos estiverem verdadeiramente aguçados você vai ouvir uma voz diferente. Uma voz mansa e suave no meio de toda essa bagunça sonora.

Quem tem ouvidos ouça!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Paradoxo de Natal

O evangelho e seus paradoxos: Jesus não deixou nenhum preceito de memória ou celebração do seu nascimento, muito pelo contrário, os preceitos foram relativos a sua morte. Toda a graça e centro da mensagem cristã está na cruz e não na manjedoura.

A célebre frase “fazei isto em memória de mim” não foi dita numa festa de aniversário.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Grama do vizinho - Lutero

Ah! se Deus permitisse que a minha interpretação e a de todos os outros mestres desaparecessem, e que cada cristão pudesse chegar diretamente à Escritura apenas, e á pura palavra de Deus! Percebe-se já por essa tagarelice minha a incomensurável diferença entre a palavra de Deus e todas as palavras humanas, e como homem algum pode, com todas as suas palavras, adequadamente alcançar e explicar uma única palavra de Deus. Trata-se de uma palavra eterna e deve ser compreendida e meditada com uma mente silenciosa. Ninguém é capaz de compreendê-la a não ser a mente que a contempla em silêncio. Para qualquer um capaz de fazê-lo sem comentário ou interpretação, meus comentários e os de todos os outros não seriam apenas inúteis, mas um estorvo. Vão para a própria Bíblia, caros cristãos, e não permitam que as minhas exposições e as de outros estudiosos sejam mais do que uma ferramenta que capacite a edificar de forma eficaz, de modo que sejamos capazes de compreender, experimentar e habitar a simples e pura palavra de Deus; pois apenas Deus habita em Sião.

Martinho Lutero, Sermão de Natal, 1522.


quinta-feira, 4 de agosto de 2011

A porção de hoje é suficiente?

Vários personagens bíblicos me causam admiração, espanto, confusão e principalmente inspiração. Eliseu é um destes que me leva a vários pensamentos, raciocínios e exercícios de empatia.

Viver seguindo Elias devia ser algo fenomenal. Acompanhar seu ministério, suas ações a serviço de Deus e o seu caminhar cheio de aventuras, desventuras, controvérsias, indagações, traições, perigos, sucessos e amarguras deve ter sido uma escola de profeta e tanto. Ouvir falar de alguém e seus feitos é uma coisa, acompanha-lo de perto é outra bem diferente. O contar das histórias cria ícones que, por vezes, ficam descolados das figuras humanas, com uma impressão de super-herói ou algo do gênero. Se quem conta um conto aumenta um ponto quem reproduz histórias as torna monumentais.

Que Elias foi um ícone bíblico ninguém nega. Mas qual seriam os comentários a respeito do mestre feito pelo aluno, pelo seguidor, pelo aprendiz, pelo companheiro, será que poderia dizer pelo amigo? Acho que sim. Prova maior são estas palavras: “Vive o SENHOR, e vive a tua alma, que não te deixarei.”, só um verdadeiro e chato amigo poderia proferi-las. Ter referenciais é fundamental na vida de qualquer pessoa. De cristãos, em especial. Melhor ainda é ter referenciais e exemplos com os quais você possa caminhar junto diariamente.

Betel, Jericó e Jordão, um caminho final, uma estrada derradeira, o final de um tempo juntos, o final do aprendizado, o completar de um ciclo feito de lições práticas e diárias. No caminho avisos, provocações e gracejos... Seu senhor será tirado de você! Perdeu compadre! De agora em diante sua missão terminou. Não existira mais a quem seguir, não mais quem ajudar, não mais com quem aprender.

Aquele último trajeto foi decisivo na vida de Eliseu e meu exercício de empatia se fixa nos pensamentos a respeito do futuro: Se ele se for alguns talvez tenham em mim a continuidade do seu ministério; Será que aprendi como deveria? Será que sou capaz? Talvez mais algum tempo juntos? O final das coisas é sempre mais complicado que o início. Conseguir um moço para segui-lo era fácil, difícil agora é como se apartar dele. O meu exercício de empatia com Elias se foca na preocupação com a despedida. Acho que Elias, assim como a maioria de nós, não gostava dela. “Fica-te aqui, porque o Senhor me enviou...” para cá, para lá e para acolá!... Melhor terminar com isso rapidamente, sem choro, sem despedidas, sem mais faça assim ou faça assado. Leio e enxergo um coração triste em Elias. Triste com a despedida de Eliseu.

Um rio, um capa dobrada, águas feridas e uma estrada a seco em sua frente. Como se não bastasse a preocupação sobre o futuro do ministério de profeta mais uma prova do poder de Deus sobre a vida do mestre deixa o aluno estupefato.

Sempre que idealizo Elias imagino, não sei por que, um sujeito sisudo. Mas num momento em específico me vejo enxergando um ar nunca antes visto na fisionomia de Elias. “Serei tomado de Ti Eliseu!”. Essa não é a frase expressa na bíblia mas gosto de parafrasear. “Pede-me o que queres que te faça, antes que seja tomado de ti.” Essa é a frase original. Se fosse um filme, a trilha sonora desse momento seria calma, tranquila, com muitas cordas e um close no olhar de Elias. Um momento sublime onde o mestre realiza um último pedido do aprendiz, um presente a lealdade, uma dádiva de despedida ao mais que aluno, ao amigo. Imagino que Elias não era assim tão bom – também como a maioria de nós – em expressar seus sentimentos e ali tentava usar uma linguagem de amor um pouco diferente, do jeito dele.

A câmera lentamente se move em direção ao rosto de Eliseu e lá encontra um homem surpreso com aquelas palavras. Acredito que ele não esperava essa atitude de Elias, não fazia o tipo dele. Naquele exato momento imagino o espírito de Eliseu em busca do pedido perfeito, do pedido de coroaria todos os momentos que viveram juntos, algo que conseguisse unir o passado e o futuro no presente que a partir daquele instante seria só dele, Eliseu.

Pois bem, mesmo a bíblia não nos dando noção de tempo entre uma frase e outra, acredito que aquele momento não demorou tanto assim. A resposta surge auxiliada por outro espírito que não apenas o Dele. “Peço-te que haja porção dobrada de teu espírito sobre mim.” Quem teria pensado em pedido melhor? Nem Elias imaginava isso, haja vista sua resposta: “Coisa difícil pediste;”. Talvez o pensamento de Elias tenha sido: atrevido não? Seguido desse pensamento deve ter vindo a felicidade pelo pedido, afinal de contas, que professor não ficaria feliz com um pedido de um aluno como este? Só os orgulhosos.

Elias sabia, contudo, que a resposta do pedido não dependia apenas dele. O Espírito que o movia vinha dos céus. “Só se me vires quando for tomado de ti, então se fará.”. Ponto, seguem o caminho, andando e falando quando de repente: um carro de fogo, com cavalos de fogo os separam.

Disse Eliseu: “Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!”. Capa na mão e novamente um rio a frente. “Onde está o SENHOR DEUS de Elias?” e novamente uma estrada a seco em sua frente.

Pedido atendido. Porção dobrada concedida.

Imagino os líderes "cristãos" da atualidade se dirigindo aos jovens, as novas gerações e lhes perguntando o querem que lhes seja dado antes de partirem. Quais seriam os pedidos? Tenho receio deles. Porção dobrada do que dizem possuir seria suficiente para que seus seguidores espelhassem o exemplo de Elias na terra?

Vejo jovens andando com a água no pescoço porque não encontram líderes que possam lhes transmitir uma porção do espírito capaz de fazer um riacho se abrir a sua frente.

A porção do que hoje pregam, ensinam e vivem não é suficiente! E o SENHOR DEUS de Elias não é deus deles.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A verdadeira marca que carregamos

Ontem mesmo estava pensando qual será a minha próxima vitória, qual o próximo milagre que preciso para minha vida, qual a próxima benção para que o maravilhoso mar de rosas prometido por Jesus aos seus seguidores chegue a minha existência terrena.

O mundo está mudando a olhos vistos e nada mais justo que mudemos com ele. Nada mais sensato e atual que ajustar nossas velas e navegarmos no belo e esperançoso oceano da prosperidade, da riqueza, do novo Brasil e do novo mundo. Nunca foi tão fácil pregar. Não somos mais perseguidos ou chamados de conspiradores da ordem Romana. Agora somos cults e descolados. Vivemos vidas abastadas e cheias de testemunhos de casas novas e carros zero quilômetro.

Nossos encontros não são mais feitos em catacumbas ou escondidos da polícia ou do exército. Multidões se reúnem em locais públicos a espera do reconhecimento televisivo no jornal da noite ou no programa semanal de domingo. Nossos eventos, cercados de pompa e circunstância, atraem as autoridades e os formadores de opinião da nossa rica sociedade. Estar perto de nós significa reverência e respeito ao espiritual.

O “povinho” de ontem são os abençoados de hoje e aqueles que vão ganhar a nação no futuro. Como dizem alguns logo, logo elegeremos o próximo presidente e então seremos imbatíveis. Nem um estado laico poderá nos segurar. Converteremos todos e todos serão abençoados, receberão seus milagres e bênçãos e então seremos todos felizes e prósperos.

Ser crente nunca foi tão fácil. Se você conversar com sua mãe, pai, avô ou avó verá que as coisas mudaram. E não se trata de uma mudança pontual, são séculos de mudanças e transformações. Assim como a sociedade mudou os crentes também mudaram e vão seguir mudando.

Mas se a cada dia que passa está mais fácil ser crente o inverso se mostra verdadeiro quando falamos em ser Cristão. Se no passado os valores, a moral, os costumes e os hábitos cristãos eram muito bem aceitos pela sociedade o presente se mostra totalmente diferente.

O filho de Deus aos poucos vai se transformando no maior pensador, executivo, educador, líder, psicólogo, alma iluminada, espírito de luz, guia, guru, etc. Manipulam suas verdades e ensinamentos mais simples e básicos em arcabouços supostamente teológicos para que as boas novas sejam boas e novas para todos os públicos. Para que atendam a todos os gostos, opiniões, grupos, raças, tribos, ambições e desejos.

Para que carregar uma cruz se posso pagar para que alguém faça isso por mim. Para que dar a outra face se a segurança e conforto da minha vida me mantem longe dos baderneiros e briguentos. Para que dar emprestado sem esperar ter o montante de volta se os bancos e financeiras fazem isso sem que ninguém precise sair de casa. Para que comunhão com outras pessoas se posso assistir ao culto no conforto de minha poltrona pela internet ou pela TV. Para que ser pobre se posso ser o mais rico e próspero de todos os homens. Mais fácil e justo é pensar e orar a respeito da minha próxima benção.

Se bem aventurado é o sinônimo bíblico para felicidade concluo que vivo num mundo cheio de crentes infelizes. O progresso e o consumismo diminuirão o número de pobres, quebrantados, mansos, famintos, misericordiosos, limpos de coração, pacificadores e perseguidos. O futuro não será um local bom para verdadeiros cristãos. Seremos infelizes sob a ótica social e imorais segundo os padrões e valores da pós-modernidade. Talvez seja essa a marca tão aguardada pelo reino do anticristo, talvez seja essa a marca que nos tornará diferentes.

No futuro a história do Deus que deixou o esplendor de sua glória, seu reino de majestade e poder, suas legiões de anjos adoradores e sua natureza atemporal para se fazer menino, pobre, passar fome, sede, frio, ser traído, preso, torturado e assassinado não será uma história digna de ser contada as crianças porque será a antítese do sucesso e da prosperidade. Afinal de contas quem em sã consciência optaria por uma história dessas? A humanidade caminha em outra direção.

No futuro não será necessário nenhuma tatuagem, código de barras ou chip para identificar um de nós. O sangue da vítima que planejou seu próprio assassinato brilhará nos pobres, quebrantados, mansos, famintos, misericordiosos, limpos de coração, pacificadores e – se Deus quiser – “perseguidos”.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Um Deus presente

Estou de saco cheio dos mesmos comentários após as tragédias que, infelizmente, a cada dia que passa se tornam mais frequentes. Comentários a respeito de um Deus ausente insistem em surgir a cada ato de terror cometido por um ser humano.

Como dizia Axl Rose: “Welcome to the jungle”... isso mesmo, bem vindo a selva. Ano após ano, era após era, o mundo vai adentrando a selva do orgulho, da vaidade, do isolamento mesquinho no mundo dos nossos próprios umbigos. Uma falsa moralidade travestida de preocupação com o semelhante, um choro hipócrita sobre as mazelas humanas e um olhar besta e sem conhecimento sobre o que acreditam ser espiritualidade e atuação divina na terra.

Faz falta a leitura bíblica e um real desejo pela busca do Divino antes de tecer comentários dessa natureza. Faz falta olhar para si mesmo e entender que a criação foi dotada de moral e oportunidade de escolha. Faz falta entender que valores são deteriorados com a nossa permissão geração após geração. Faz falta entender que as tecnologias que nós próprios criamos, as vezes, mais nos afastam do que nos aproximam. Faz falta entender que nem tudo são maravilhas no mundo capitalista do consumo e da exclusão social. Faz falta enxergar que o bem que só é feito no seu círculo íntimo de amizades nem sempre é suficiente para se caracterizar como “bem”, até os bandidos fazem isso. Faz falta a correta aplicação do perdão pois a quem diga que ele é sinal de orgulho, isso mesmo, já ouvi formadores de opinião dizendo que o verdadeiro perdão não existe mas que é um sinal de orgulho, que a pessoa que decide perdoar está no fundo querendo se colocar acima das demais.

Talvez em algumas cabeças o melhor teria sido sermos criados como robôs ou fantoches, isso nos livraria do peso das nossas decisões e nos tiraria a responsabilidade pelos nossos atos. Também não seria necessário seguir mandamentos, regras ou muito mesmo valores. Tudo isso já viria previamente instalado como software direto da fábrica.

Passamos a vida correndo atrás do metal, lutando para nos tornarmos reis e rainhas e escondemos Deus tão longe de nossas vidas que quando necessário não sabemos mais onde Ele está. Nem nos damos conta de que o Rei dos reis preferiu abandonar sua glória e virar criança pobre.

Passamos a vida desejando crescer e esquecemos que só as crianças sabem onde Ele está e só elas vão entrar no céu.

Hoje sinto muito mais rumores de um outro mundo na terra do que antes. Sinais de que Deus nunca esteve tão presente em nosso meio como agora. Só não enxerga quem não quer ou que prefere não ver.

Se você acha loucura minha pensar que Deus está presente em tudo o que acontece por aqui, paciência, você está lendo o texto de um cara pirado, maluco. Se eu te falar que Ele já havia dito que tudo isso iria acontecer, então, mande me internar num hospício.

Mas, se o conheço bem, sei que Ele também chorou e ainda chora por nossa causa. E esse choro significa que ainda existe esperança e salvação. Quem crê na ausência de Deus nunca o conheceu verdadeiramente.

quarta-feira, 2 de março de 2011

It's free and always will be


Então surge um homem, bem diferente dos demais. Um homem que falava de algo novo, de boas novas. Falava de um reino que não seria construído por mãos humanas, de um reino que não seria representado por palácios e riquezas. De um reino onde o último seria o primeiro, onde os que servem seriam os maiores e onde só os fracos seriam fortes.

E o melhor de tudo: um reino entregue de graça.

Anos e anos se passam e o slogan que deveria ser do evangelho é o marco de uma revolução digital expressa no Facebook: "it's free and always will be".

Zuckerberg e outros tantos seguem ganhando muito dinheiro vendendo aquilo que é de graça.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Um espólio disponível

Hoje é um dia triste para mim e tenho certeza para muitas pessoas no Brasil e no mundo. Eu que sempre me ressenti pelo fato dos maiores ícones mundiais do Cristianismo não serem necessariamente evangélicos (muito menos pentecostais), sou testemunha ocular da história, da vida e da morte de um verdadeiro cristão que deixa um grande espólio disponível.

Sou parte de uma família e igreja que sempre deixou legados a suas gerações. Uma família de homens de mulheres que sempre tiveram no reino de Deus a sua prioridade. Cresci e me formei debaixo de princípios cristãos verdadeiros. Embora relutante em algumas fases da vida, nunca duvidei dos ensinamentos das minhas antigas gerações de pais e mestres. Vi, ouvi e senti na pele o efeito nocivo da má interpretação e aplicação do que seria este dito "reino de Deus na terra". Ainda me chateia me ver confundido e colocado no mesmo balaio de homens maus, da banda podre das igrejas no Brasil. Isso mesmo que eu disse, "banda podre das igrejas". Se você não gostou da palavra acredite que ela é muito menos chocante do que as usadas pelo próprio Jesus para conceituar este tipo de gente - maiores dúvidas consultar Mateus 23. Me sinto mais ou menos como o bom policial que deixa sua casa, mulher e filhos e depois de um tiroteio com marginais ouve no ônibus de volta para casa que a polícia brasileira é corrupta e não presta. Ahhh... o velho pecado da generalização, como isso machuca.

Generalizações a parte, profissionalmente aprendi que o melhor líder é aquele que lidera pelo exemplo. Vi muito pouco disto nas organizações empresariais e tenho poucos referenciais dignos de nota. E por mais incrível que possa parecer, as igrejas não são diferentes, afinal de contas, o ser humano padece das mesmas tentações em qualquer instituição. Dinheiro, poder e fama ainda são as armas preferidas de nosso inimigo.

Mas por outro lado, em qualquer um destes ambientes, exemplos dignos de honra continuam permeando nossa existência. Ainda existem homens (e se Deus quiser ainda continuarão a existir) que servem de modelo e exemplo para todas as gerações. E eles, por força natural do seu caráter, criam, desenvolvem, progridem, enriquecem, crescem e empreendem. Ao redor deles transitam várias pessoas, algumas delas interessadas em quem eles são e outras no que eles podem render. Sempre foi assim e assim vai continuar sendo, mais ou menos como foi com Jesus, da multidão ao redor apenas poucos estavam lá por quem Ele era.

Do homem da foto, Pastor José Pimentel de Carvalho, que faleceu hoje, aprendi várias lições mesmo nunca tendo estado tão perto a ponto de tocá-lo. Hoje o meu ressentimento dito no início diminui bastante, ou seja, verdadeiros exemplos de cristianismo podem surgir em nosso meio, isso mesmo, no meio da igreja, por mais paradoxo que possa parecer. Aprendi a não me incomodar tanto com as generalizações, uma vez que os verdadeiros cristãos preferem trabalhar no silêncio e longe das multidões, seu crachá é sua vida. Ratifiquei mais uma vez a tese que liderança se faz pelo exemplo e que o mentorado das novas gerações é feito, mesmo a distância, pelo legado que deixamos quando nossos dias terminam. E aprendi, principalmente, que grandes homens deixam espólios.

Para as pessoas que estavam ao seu redor pelo que ele poderia render o espólio será finito. Mas dou graças a Deus porque para mim e para outros tantos o espólio espiritual deste homem de Deus é infinito e disponível a todos quantos desejarem dele tomar.

Muito obrigado Pastor. Espero vê-lo de novo.

Minhas sinceras condolências a toda família Pimentel de Carvalho.



quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Sobre piás, velhos, bem e mal

Apesar de todas as minhas tentativas (frustradas) de parecer mais jovem minha barriga e os meus poucos cabelos me fazem atentar para a verdade nua e crua, esta minha fase se foi.

Me lembro de algumas conversas que tive com meu irmão onde dizíamos e prometíamos um ao outro que não envelheceríamos. Pois bem, ele cumpriu a promessa e não envelheceu. Faleceu aos 33 anos sendo o cara mais boa praça que eu já conheci. Carregando consigo todos os adjetivos possíveis a imagináveis que uma pessoa pode ter. E entre todos eles, para mim, o que mais o definia era simplesmente "um piá do bem".

Ser um cara do bem parece significar pouco e muito ao mesmo tempo. Enquanto tantos adotam o lado da maldade como regra de vida ainda existem aqueles que não se curvam diante dela. No meu irmão ser um cara do bem soava mais simples e descomplicado, um cara gente boa capaz de amontoar os tijolos no fundo da casa e improvisar uma churrasqueira onde amigos podiam estar reunidos e conversas serem jogadas fora.

Não sei se você já reparou, mas dá impressão que carregamos algum dispositivo de série que nos mostra de alguma maneira a que turma o cara (ou a cara) pertence, "do bem" ou "do mal". Também parece que quanto mais o tempo passa mais difícil fazer o cidadão mudar de lado. Parece que a juventude tem um fator preponderante nas definições futuras do lado que você vai escolher. Minha preocupação é justamente esta, o grande número de jovens escolhendo o lado da maldade, os "piás do mal".

Se há uma coisa que me entristece é ver pessoas tão novas já com ares de "caras do mal". Parece que esta mistura não combina, juventude e maldade não foram feitas para andarem juntas. Parece soar mais familiar dizer um "homem do mal" do que um "piá do mal". Mas o mal é uma doença que tem nos jovens seu grupo de risco. Não adoecer no espírito ainda fresco da juventude pode ser a definição de um destino.

É importante deixar claro que esta doença não tem nada com sexo ou drogas (muito menos rock'n roll), isso sempre existiu no meio de jovens do bem ou do mal. A proliferação dessa doença é muito maior que isto. A maldade que fica estampada é aquela que faz com que o cara chute o bêbado caído no chão enquanto o correto seria levá-lo até sua casa. A maldade clara é aquela que espanca o morador de rua ao invés de lhe oferecer um cobertor. De novo, a questão não é o álcool ou as drogas, a maldade verdadeira é maior que todas as drogas juntas. É mais fácil recuperar um drogado do que tirar a maldade do coração de um jovem.

O Renato tinha razão, cada vez menos os "santos" tem a exata noção da medida da maldade e os jovens continuam adoecendo, cada dia mais, cada dia em maiores quantidades, cada dia com atos mais violentos, cada dia com mais naturalidade, cada dia mais impunes, cada dia mais achando que o certo é errado e o errado é certo.

Se for para envelhecerem assim que se curem antes e só então se tornem homens.

Se meu irmão ainda fosse vivo eu lhe diria: "Mudei de idéia mano, pode envelhecer tranquilo, piás do bem como você serão sempre velhos homens jovens"... saudade.

A maldade envelhece mas a bondade nos faz como crianças.


Nota aos de fora: piá = menino, moleque, guri.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Eles não sabem o que fazem

O primeiro clamor de Jesus na cruz foi o maior exemplo de inclusão e expressão de graça que a humanidade já presenciou. Como o maior advogado da eternidade ele utilizou a ignorância como motivo de perdão a um bando de homens maus, sedentos de ódio e ansiosos por agressão, tortura e morte.

Se hoje fossemos colocar em perspectiva todos os pecados existentes acredito que seria difícil encontrar alguém que pudesse ser defendido com a justificativa da ignorância.

A informação e o conhecimento fazem isso. A cada dia que passa fica mais difícil para mim e para você nos apoiarmos no simples "eu não sabia" para justificar nossos pecados. A cada novo amanhecer da história ficará mais difícil para reinos e governos se desculparem de atos de preconceito e morte com base nas premissas de falta de conhecimento. Quanto mais o sol se levantar menores as chances de dizermos que tudo acontecia bem debaixo de nossos narizes e que não tínhamos a mínima noção do que estava acontecendo e dos rumos que a sociedade tomava.

Quanto mais a verdade expressa nas palavras de Cristo forem lidas, estudadas e proferidas menores as chances dos homens maus se apoiarem na ignorância ou na intrepretação errônea para se livrarem da justiça divina.

Quanto mais o tempo passa, quanto mais distantes da cruz e mais próximos do futuro nos encontrarmos menor será o efeito do perdão pela ignorância. A proximidade da justiça faz com que a luz da verdade seja mais forte e próxima e com ela a escuridão se vai e tudo fica as claras.

Mais difícil será provar que não sabíamos o que era bem ou mal, puro ou impuro, decente ou indecente, honesto ou desonesto, certo ou errado. O que pega mesmo é a nossa cara de pau de sempre, ainda nos achamos inseridos no perdão da ignorância sem nos dar conta de que cada passo em direção a verdade diminui o efeito das nossas desculpas esfarrapadas.

Quando todas as informações estão a sua mão, quando todos os mapas são conhecidos e todos os caminhos já foram percorridos mais fácil decidir a sua direção, o seu alvo, o seu fim.

Depois que tudo tiver sido dito e feito, só o amor restará e quando o encontrarmos face a face o álibi da ignorância não valerá mais nada.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um instante

O exato instante entre o passado e o futuro se chama presente e sem analisar a fundo a etimologia da palavra só me atento ao significado mais comum dela, “presente”.

Analisando todos os tipos de presentes que são perdidos cheguei a algumas conclusões. Me dei conta que mesmo presentes sem serventia aparente servem de lembrança das pessoas que o presentearam. Que presentes caros nem sempre são os mais desejados. Que presentes baratos as vezes possuem valores inestimáveis. E principalmente que ao contrário de outros o tempo é o único presente que não permite trocas, ele sempre vem ajustado ao seu tamanho, as suas aspirações, a soma do seu passado e a estatura dos seus sonhos e desejos futuros.

Olhando deste ângulo talvez você concorde comigo que muito pouco do nosso tempo, ou do nosso presente pode ser perdido. Ele só se perde quando vivemos querendo trocá-lo, ou seja, ao invés de aproveitar o presente dado, nos imaginamos vivendo um outro presente.

Te convido a rotular o seu presente, ou os seus presentes por assim dizer, da seguinte maneira: caros e baratos. Tente colocar todos eles nas divisões de horas, dias, meses e anos e separar caros e baratos. Veja se você consegue fazer relação entre os caros sendo aqueles que você gostaria de ter ganhado e os baratos como aqueles que você não faria tanta questão assim. O curioso neste exercício é que os nossos presentes mais caros (ou aqueles em que o nosso preço hora do tempo são mais elevados) são aqueles que, quase sempre, gostaríamos de trocar e os ditos mais baratos são aqueles mais preciosos, aqueles que não trocaríamos por nada neste mundo.

Agora o convite é para pensar no presenteador. Nenhuma das discussões acima tem sentido quando a ingratidão entra em cena. Eu nunca vi ninguém ganhar um presente, por mais ridículo que seja e não agradecer. Nós, por outro lado, além de não agradecer ainda queremos trocá-los a todo o momento. Sejam eles caros ou baratos o fato é que são presentes. Foram dados gratuitamente a você. Gratuitamente não significa que eles não custaram nada, muito pelo contrário.

Não podemos reclamar dos prazos de validade dos nossos presentes uma vez que não existe ninguém mais agraciado por presentes do que todos nós. Você pisca o olho e lá vem mais um.

A maior dificuldade para nós seres humanos é tentar imaginar Deus atemporal. Ao contrário dos nossos instantes pressionados entre o passado e o futuro no instante Dele habita toda a eternidade. Ele a separou em pequenos pedaços e nos presenteia com um pouco todos os dias, seguindo a máxima de que notícia boa é dada aos poucos.

O que desejo para todos vocês em 2011 é que aproveitem todos os instantes dele e que a somatória dos seus “presentes”, sejam eles caros ou baratos, se converta em gratidão a quem os presenteou, nem que seja por um instante.

Muito obrigado pelas visitas, emails, comentários e o incentivo de sempre. Que Ele nos permita “bloguear” muito mais em 2011.

Um grande abraço.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

O(s) Cara(s)

E, outra vez vos digo que é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus – Mt 19:24.

Tente se imaginar rico, muito rico, podre de rico. Se não estou enganado, a esmagadora maioria (se não a totalidade) dos leitores deste post terão que efetivamente aguçar sua imaginação pois não acredito que um ser muito rico desperdice seu tempo com leituras como esta.

Pois bem, se você conseguiu fazer o exercício da maneira correta você provavelmente não vai concordar com as palavras de Jesus escritas acima. Não esquente a cabeça, eu tambem não estou nenhum pouco favorável a elas.

Cheguei a esta conclusão analisando o fato de que talvez Jesus não me conheça tão bem assim. É impossível imaginar que uma pessoa tão bondosa e dedicada como eu esqueça dos princípios cristãos apenas porque se tornou rica. Justamente o contrário, as propriedades e o dinheiro, sem dúvida alguma, me permitiriam ser um genuíno cristão. As posses me ajudariam a ser mais fiel e caridoso, me possibilitariam mais tempo a disposição do reino, me concederiam a honra de ajudar orfãos, pobres e viúvas e toda sorte de necessitados. A riqueza me faria frequentar lugares onde valores cristãos não são comuns e eu teria a chance de testemunhar para outras esferas da sociedade através da minha vida. As igrejas se beneficiariam das minhas ofertas e donativos e eu poderia turbinar as ações sociais destas instituições. Eu não teria mais que perder tempo trabalhando em organizações onde poder, status e fama são os objetivos, eu poderia montar a minha própria empresa e gerar emprego para muitas pessoas e a minha organização seria dirigida com valores diferentes da sociedade atual. Eu não precisaria mais mentir apenas para manter uma situação, não teria rabo preso com ninguém e poderia falar a verdade em todos os momentos. Eu não teria mais problemas familiares ou conjugais pois teríamos condições de estar mais tempo juntos e o prazer do lazer e do tempo de qualidade nos aproximaria cada vez mais e seríamos um exemplo de família para outras pessoas que poderiam se aconselhar conosco e também melhorar seus relacionamentos. Eu poderia sustentar missionários, manter clínicas de recuperação, apoiar ações de combate a fome além de ter orfanatos e hospitais. Eu poderia criar um ministério que discipularia, ensinaria e enviaria ministros para todos os rincões do Brasil e do mundo. Definitivamente Eu seria o cara, o perfeito exemplo de Cristão. Todos poderiam me olhar e glorificar a Deus que está nos céus.

Não tenho dúvidas que Jesus estava enganado quando proferiu estas palavras, definitivamente ele não me conhece e não tem idéia dos meus motivos nobres de enriquecimento.

Pensando bem, com tanto dinheiro e tanta humildade eu pagaria para aumentar o buraco dessa agulha e diminuir o tamanho desse camelo.

NOTAS
- Embora pareça criativo e original o pensamento acima não é exclusividade do autor;
- Deus tenha misericórdia de mim e do resto dos “caras” que também pensam assim;
- Ironia = Expressão ou gesto que dá a entender, em determinado contexto, o contrário ou algo diferente do que significa. Achei melhor explicar, só por precaução.




terça-feira, 30 de novembro de 2010

E por falar em caminhos...

No meio de tantas possíveis direções seguir um único caminho parece ser a melhor opção. O caldo só entorna se o caminho que estamos seguindo não é o correto.

Na época em que fiz vestibular segui o conselho de um colega que dizia: “quando não souber a resposta marque a alternativa “C””. Sei lá de onde o cara tirou isso, só sei que segui a recomendação. Parece que optar previamente por alguma estratégia (seja ela qual for) é melhor que não ter nenhuma. Ou seja, seguir algum caminho é melhor que não ter caminho algum para seguir.

Em geral é mais cômodo seguir uma única direção, sem experimentar o desconforto que os novos caminhos trazem consigo. A grande maioria das pessoas são assim, rotineiras e tradicionalistas. É assim porque sempre foi assim e é melhor deixar assim. Mudar dá trabalho e quem me garante que mudando de caminho as coisas serão melhores?

Na maioria dos casos o orgulho é o principal motivo para continuarmos na mesma direção de sempre. A dificuldade de admitir que erramos, que o caminho que tomamos não era o correto, ou simplesmente não era o melhor é o que faz tantos continuarem apostando na mesma direção. É melhor continuar marcando a letra “C” do que admitir que está errado, retornar, estudar e ter a certeza de qual letra é a correta.

É preciso ter humildade para se arrepender. O arrependimento é o melhor construtor de estradas que eu conheço. Quando nos arrependemos uma infinidade de novos caminhos se abrem a nossa frente, via de regra caminhos bem melhores que os anteriores, com estradas melhores pavimentadas.

Te garanto que prosseguir na direção errada te dará muito mais trabalho do que mudar de caminho agora. Só quem descobriu que está na direção errada alguns metros depois do último retorno sabe o quanto é difícil percorrer os kilômetros seguintes. Que sensação terrível de perda de tempo e de recursos (gasolina principalmente).

Quanto mais tempo você seguir no caminho errado maiores serão as consequências e as perdas que você contabilizará. Leia os sinais, observe as placas, fique atento aos retornos (ou arrependimentos) e não fique receoso de seguir por novos caminhos.

Para os vestibulares deste mundo resolvi estudar um pouco mais e abandonar a dica do “mané” da letra “C”. Já para o vestiba do mundo espiritual consegui um professor particular que sempre me mostra a melhor alternativa, Ele trabalha como um GPS indicando os melhores e os novos caminhos. Ele indica mas nunca me obriga a tomar esta ou aquela direção. A decisão é sempre minha, embora saiba que só chegarei ao destino se for conduzido por Ele.

Espero que o meu e o seu orgulho não nos faça perder os retornos da vida nem nos deixe impossibilitados de seguir por novos e melhores caminhos.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Ele sempre encontra um caminho

Por mais potentes que sejam as armas, por mais afiados que sejam os insultos, por mais impiedosas que sejam as perseguições, por mais intransponíveis que sejam as barreiras e por mais insuperáveis que sejam os desafios o amor sempre encontrará um caminho.

A história é a melhor testemunha desta tese. De nada adiantou as tentativas de sufocá-Lo, de fazê-Lo regredir ou de impedí-Lo em sua caminhada. Reinos se renderam e continuarão se rendendo ao inexplicável ato de oferecer a outra face. Não existiu e nem existirão potências suficientemente poderosas para fazer frente a morte sacrificial. Nenhum dinheiro conseguiu e nem conseguirá pagar aquilo que nos foi entregue de Graça.

As últimas tentativas se mostram audaciosas. Buscam por meio da espionagem, da infiltração e dos disfarces a pretensa alcunha de amor. Instituições se levantam a todo o momento com brados de vitória e proclamam ter conseguido o feito de descrevê-Lo em normas e procedimentos MAS nada disto é ou será suficiente, afinal de contas, Ele sempre encontra um caminho. Caminhos estreitos, é verdade. Caminhos feitos por gente, por pecadores. Caminhos longe dos holofotes. Caminhos nunca solitários. Caminhos onde poucos enxergam as placas.

Surpreendentemente, quando imagino ter chegado ao fim Ele me ensina, pelo exemplo, que o final não é definido por mim, que basta seguí-Lo, Ele encontrará o caminho.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Abortos

Já faz um bom tempo que ouço, leio e vejo as discussões acaloradas sobre este tema. Não são poucos os comentários, tratados e teses a respeito dele e em todas elas o ponto central da discussão gira em torno do momento da criação da vida. Em resumo, interromper a vida de alguém é assassinato, mas uma vez que ela ainda não existe, ou em última instância, ainda não pode ser considerada como tal, não há o quê se punir. Porém, quando traço um paralelo da vida física com a vida espiritual tenho visto milhares de abortos acontecendo debaixo de nossos olhos enquanto fazemos muito pouco a respeito.

Se a tese mais comumente aceita entre os cristãos é que a vida física se inicia quando o espermatozóide penetra o óvulo. O início da vida espiritual acontece quando aceitamos a Jesus Cristo como nosso único e suficiente Salvador. Assim sendo, entendo – por analogia – que a interrupção forçada da vida espiritual após esse momento também é aborto.

No aborto físico há um grande número de técnicas para alcançar o resultado esperado e seja por sucção, curetagem, drogas abortivas ou qualquer outro método o objetivo de não perpetuar uma vida é o alvo a ser alcançado. No lado espiritual, as técnicas são mais sutis e encobertas e o objetivo nem sempre é claro, às vezes, nem mesmo para quem o pratica. O problema são as diversas vidas interrompidas como resultado dessa prática mortal.

A primeira técnica – nos dias atuais uma das mais utilizadas – usa Jesus como ferramenta. O processo se inicia com a propagação de um Jesus fantástico, um espírito iluminado, um líder sobrenatural, um formador de opinião, um pensador invejável, um empreendedor, um executivo e outros tantos adjetivos que podem ser vistos facilmente estampados nas dezenas de livros escritos a respeito, basta você entrar em qualquer livraria para comprovar. Como se trata de uma técnica sutil, suas premissas básicas são: esconder dos nascidos de novo que Jesus, antes de qualquer título terreno, é o Filho de Deus, que se faz carne, habitou entre nós e que um dia voltará. Esconder que sua missão era única, morrer em favor dos pecadores para que eles, através da Graça, alcancem a salvação. Nessa técnica a morte é lenta e sofrida. A vida recém gerada não percebe o que estão fazendo com ela uma vez que essa técnica evolui a cada dia e as sutilezas das pregações e mensagens a respeito do Jesus superstar se parecem cada vez mais inofensivas. A morte definitiva chega no discipulado quando a vida que ainda não se reconheceu como pecador percebe que só encontrará sua vida quando a perder, quando tiver de tomar sua cruz e seguí-lo, que só é forte quando é fraco ou quando tiver que dar a outra face ao invés de revidar. Sem força para seguir vivendo ela definha aos poucos quando começa a entender que Jesus é e exige muito mais do que líderes humanos podem ser ou fazer.

A segunda técnica – a mais cruel de todas – usa o reino como ferramenta. Tudo começa com as promessas irresistíveis de um reino onde tudo é bom e maravilhoso, onde não há doenças, desemprego, tristeza e nenhuma sorte de problemas. Afinal de contas, segundo os especialistas nessa técnica quem tem problemas não pertence a este reino. Se vendem as benesses de uma vida sem percalços onde o resultado é um verdadeiro mar de rosas, um paraíso sem fim aqui e agora. Nesse caso a morte nem sempre chega logo, parece que há uma sobrevida considerável e que as coisas funcionam bem durante algum tempo. O problema é que quando ela chega é quase sempre definitiva, com poucas possibilidades de recuperação ou ressurreição. Quando a nova vida começa a entender que a chuva e o sol nascem para todos – justos e ímpios – e que às vezes os maus prosperam mais do que ele o processo se inicia. Aos poucos a dúvida invade o organismo de uma maneira letal e o que foi pregado anteriormente parece não fazer mais sentido. O aborto termina após a primeira dificuldade ou o primeiro grande problema. Milhares de abortos como este estão acontecendo nesse momento, seja numa cidade alagada, num hospital super lotado ou na portaria de uma empresa que acabou de demitir parte dos seus funcionários.

O que dizer então de drogas abortivas. Assim como na vida cotidiana elas também são facilmente encontradas no mundo espiritual. A mais conhecida e comercializada de todas se chama orgulho e também pode ser encontrada na forma genérica, vaidade. Algumas novas vidas são apresentadas a elas muito cedo. Elas não têm gosto amargo, muito pelo contrário, são doces e no início produzem uma sensação de prazer incrível. Tudo acontece silenciosamente e de maneira contínua. Textos fora de contexto, promessas, palavras de ordem e determinações matam a humildade e o desapego tantas vezes pregados e ensinados por Cristo. A droga se parece com um “boa noite Cinderela”, o conto de fadas do sucesso cristão vai matando aos poucos até que se entre num coma espiritual seguido da falência múltipla de órgãos espirituais: consciência, coração e alma.

Mães inescrupulosas e sem alma geram filhos para matá-los pouco tempo depois. Não são poucas assim. Concepções (ou conversões) feitas sem amor e sem compromisso com a propagação do verdadeiro Cristo e do verdadeiro reino também acontecem aos montes. Quantas vidas teremos que perder até nos darmos conta dessa linha de produção de abortos espirituais?

Não se pode perpetuar uma nova vida espiritual sem que haja arrependimento. Para que vivam bem e com saúde novas vidas devem ser corretamente geradas. O momento da concepção é o mais importante. E nele deve primordialmente existir amor. Amor divino, amor supremo, amor salvífico, amor de sacrifício, amor de compaixão. Uma nova vida só tem a chance de sobreviver quando entende que é pecador e que a graça de Cristo é a única forma de continuar respirando.


Editorial escrito para a Revista Ideal - Edição 3
http://www.revistaideal.com.br/

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Da nossa preocupação com as coisas

Que coisa são estas “coisas”, não acha?... Chego a conclusão que o grande dilema é separar as “coisas”, afinal de contas Ele nos prometeu acrescentar todas as “coisas” se o reino Dele estivesse em primeiro lugar em nossa vida.

Quando presto atenção nas coisas começo a entender porque talvez muita gente confunde o reino com as “coisas” ou então as “coisas” com o reino, ainda não sei ao certo. De qualquer maneira não posso criticar ninguém por isso, dentre todos talvez eu seja o primeiro a cometer este tipo de confusão. As vezes quero ter as “coisas” para justificar o reino e outras vezes acredito que o reino não pode seguir adiante sem as “coisas”.

Uma coisa é certa, administrar as “coisas” dá um trabalho danado. Que atire a primeira pedra quem não vive envolto com as “coisas” na maior parte do seu tempo. Do outro lado temos um reino – que devia estar dentro de nós – para nos preocupar e cuidar. Mergulhados numa sociedade de “coisas”, via de regra, queremos então tirar o reino para fora e institucionalizá-lo, transformá-lo em “coisa” para então nos preocuparmos com ele.

Como justificativa – se é que elas cabem neste contexto – eu diria que como somos especialistas em administração de “coisas”, uma vez que fazemos isto a vida inteira, tratar o reino como mais uma delas facilita o nosso dia a dia.

O grande erro nesta nossa atitude é que perdemos a oportunidade de ter as “coisas” acrescentadas em nossa vida ao mesmo tempo que imaginamos possuir por completo um reino que nunca deve parar de ser buscado.

A beleza e o segredo estão na busca e não na administração. Mas como somos bons administradores e péssimos exploradores preferimos a zona de conforto das “coisas” aos pés e joelhos calejados da busca.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Que não vença o melhor

Tenho acompanhado calado as discussões em torno da política e da sucessão presidencial mas “marmita” que sou, não resisti a alguns comentários... ou provocações, quem sabe?

Começo lembrando Tiago 1:27 que diz “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os orfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”.

Ainda hoje não consigo me esquecer (e nem quero) de uma reportagem feita alguns anos atrás no sertão do Brasil onde um pai se enforcou por não suportar mais o choro de seus filhos em virtude da fome. Outro dizia ter pensado matar os próprios filhos na tentativa de preservar o sofrimento deles que morreriam aos poucos de inanição.

É fácil ficar legislando e defendendo posições aconchegados em nossas boas casas e com as barrigas efetivamente cheias de pizzas e lanches do Macdonald’s nos finais de semana. Nesta situação temos excelentes condições de analisar com cuidado os prós e contras de cada candidato e abusar de nossos conhecimentos econômicos e sociais.

Falar de populismo pela ótica de quem, se quisesse, teria condições de fazê-lo é uma coisa, outra bem diferente e falar dele pela ótica de quem o recebe e tem nele a própria salvação da vida. Falar de populismo com água encanada e uma geladeira que preserva os nossos alimentos até a hora em que os jogamos fora porque fomos ao supermercado e não temos mais espaço nela (a geladeira) é fácil, muito fácil.

Não fico totalmente confortável com comentários dizendo que a maioria da população se aproveita de auxílios governamentais, me parece cômodo rotular todo mundo de vagabundo sem ao mínimo conhecê-los. A maior parte das pessoas que faz este comentário nunca se quer passou perto de uma favela ou visitou lugares onde é necessário andar milhas e milhas até encontrar água menos suja para beber. Também não consigo acreditar que uma boa oferta de trabalho seja suplantada por esmolas para a maioria dos brasileiros.

Mas por incrível que pareça, todos os meus comentários acima não significam apoio ou apologia a este ou aquele candidato. Tentando manter o objetivo do blog, apologia cristã, o que me preocupa é o fato de começarem a dizer que a eleição a partir de agora pode ser decidida pelos religiosos porque isso definitivamente não é verdade. Não vejo um único religioso, no sentido bíblico da palavra, envolvido nisso tudo. Pois se sigo o que disse Tiago, o verdadeiro religioso deveria se preocupar com o social (ali referenciado como órfãos e viúvas) e se guardar da corrupção do mundo. Então, alguém poderia me dizer que são os religiosos no meio disso tudo? Seja pelo social, seja pela corrupção não vejo nenhum.

Se os religiosos de que falam são as instituições eclesiásticas também não concordo. Elas não conseguem representar a opinião de todos os seus fiéis, estes mesmos dispersos em várias classes sociais envoltos nas duas faces do populismo que hoje vivemos. Se o dom maior de Deus é a vida tenho certeza que quase todos optariam pela vida de seus filhos a proibir cidadãos maiores possuídores de livre-arbítrio de se unirem civilmente mesmo sendo do mesmo sexo ou seres humanos dotados de consciência decidirem o destino de seus fetos. Além do mais, o pecado é e sempre vai ser pecado, seja ele formalizado ou não por leis humanas.

Nossa hipocrisia cresce a cada dia e agora consegue encontrar aconchego nas lábias dos candidatos sedentos por poder. Chega ao ponto de imaginar que preceitos cristãos poderão ser incorporados a programas de governo no Brasil. Alguém pode me dizer quando isto verdadeiramente aconteceu na nossa história? Engano meu ou parece que eleger um governo mais “santinho” gera uma sensação de alívio as nossas consciências? O pior é acreditar em santidade e boas intenções no meio de um povo em que o sim pode ser não e o não sim dependendo do contexto, da audiência e do momento.

Pela primeira vez na vida não critico quem está em cima do muro ou de qualquer lado dele. A cada dia fica mais claro e visível para mim que este mundo só tem um lado e nós uma só saída.

Não sou contra a boa política e até acredito que ela existe, porém, só no dia em que tivermos um governo que visite órfãos e viúvas em suas tribulações e que se aparte da corrupção do mundo acreditarei que os religiosos decidiram a eleição. Até lá podem ter certeza que o melhor nunca venceu.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Vida de gado


Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz!

Não acredito que o Zé Ramalho tenha tendência para profeta ou coisa do gênero mas que essa música diz muito, isso sim. E o rebanho não para de crescer.

Não é novidade que a falta de conhecimento é a parideira ideal deste gado. Ano após ano, século após século, milênio após milênio a regra é a mesma e a máxima romana do “pão e circo” segue inabalável.

Seja para questões corriqueiras, políticas, tratados econômicos, teologia ou cristianismo o povo sempre paga um preço alto pela falta de conhecimento. Como não tenho pretensões políticas, econômicas ou teológicas me arrisco a analisar o fenômeno pelo lado cristão.

Não posso crer (baseado nas escrituras) que Cristo tenha vindo até a terra para se relacionar com seres irracionais, muito pelo contrário, a nossa criação bela e moral foi feita como semelhança Dele(s). Somos dotados de uma série de inteligências e acima de tudo temos o dom da abstração e da imaginação. Com todos estes atributos fomos colocados acima do resto da criação e com a incumbência da mordomia, ou seja, não está na nossa lista de atividades cá debaixo do céu uma vida parecida com a vida dos nossos amáveis bovinos.

Porém, a situação não mudou muito desde a ascensão de Cristo, muito pelo contrário, piorou bastante. Hoje vivemos na era da informação e uma vez que informação não é, por si só, conhecimento e muito menos sabedoria, a suposta pretensão de achar que sabemos e conhecemos tudo produz o que eu chamaria de “gado pós-moderno”.

Aos poucos os hábitos de estudo e leitura são suplantados por rápidas passadas de olhos em algum texto ou apresentação de power point. Discussões e conversas em grupos trocados pelo encaminhamento de emails que fulano ou ciclano me enviou e que eu não sei bem do se trata mas acho que faz sentido. Comida só aquela servida na boca e que atenda aos paladares refinados dos seguidores das teologias da prosperidade e da confissão positiva.

O maior problema de todos é que no meio de tantas vozes desconexas e sem sentido corremos o risco de não identificarmos mais a doce voz do nosso pastor. De mestre só nos convém chamar Um, que depois de subir nos enviou Aquele cuja atribuição seria nos instruir, nos ensinar, nos fazer enxergar a verdade num mundo de mentiras e enganações. Uma pena não contarmos com Ele para transformar nossas informações em conhecimento e em sabedoria. Na verdade um desperdício.

A alguns dias atrás falei a um grupo de pessoas sobre a necessidade urgente de voltarmos a ser ovelhas. Porque só elas sabem identificar com exatidão a voz do pastor.

Ovelha sim, gado pós-moderno não. A marca que eu carrego não foi feita com ferro quente.



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Qualquer semelhança - final

Palavras que pareciam sementes lançadas aos corações. Erivelton dizia cada uma delas com paciência, sem pressa, embora cada uma delas fosse acompanhada por orações em espírito para que alcançassem o fim a que se propunham.

Ninguém naquele pequeno salão parecia imune ao que estava ouvindo. Era como se as palavras de Erivelton viessem acompanhadas de algo mais, algo espiritual além da simples percepção humana e de simples emoções.

Com o livro em punho, Erivelton faz um convite. Um convite que mudaria suas vidas por completo. Um convite precedido de uma decisão e ninguém que o aceitasse passaria incólume por aquele momento.

Era impossível não se sentir tocado pelo simples fato de entender o que aquilo significava. O silêncio tomou conta do local e Erivelton fez questão de deixar que assim ficasse. Parece que ele ouvia alguém mais falar além dele, com um tipo de voz que não se pode ouvir com os ouvidos.

De repente, no meio daquelas poucas pessoas, uma mão se levanta. Um homem de meia idade, aparência sofrida como se carregasse um fardo pesado em suas costas. Com algumas lágrimas lhe molhando a face caminha pelo corredor e Erivelton lhe recebe com um abraço apertado.

Com aquele ato tinha plena consciência de que seus problemas estavam apenas começando. A partir de agora ele era um cristão. Mas isso não o incomodava pois mesmo sem vê-Lo estava certo que daquele momento em diante Ele estaria junto dele todos os dias, até a consumação dos séculos.


NOTA
O blog Fora do Sistema esclarece: Este é um texto de pura ficção. Qualquer semelhança com fatos ou pessoas é mera coincidência.



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Qualquer semelhança - parte 5

As palavras saíam como rajadas de encontro aos ouvidos da multidão. O som alto e o brilho das luzes completavam a atmosfera daquele lugar super lotado. Era se como tudo fosse possível, sem reservas, sem sofrimentos. Tudo ao alcance da sua vontade, dos seus desejos ou como ele dizia, “dos seus sonhos”.

Silvia se lembrou das dificuldades e adversidades que vinha atravessando junto com Junior e teve absoluta certeza que a mensagem era direcionada para ela. O final apoteótico chegou e Silvia rapidamente se dirigiu para frente do palco. Com ela outros tantos que tiveram o mesmo sentimento e que apressadamente corriam em busca dos primeiros lugares. A música envolvente, o barulho quase ensurdecedor e joelhos que começavam a se dobrar na expectativa de uma benção especial daquele homem. Tudo ali, palpável e a alguns passos de distância.

O fim chegou e com ele a confusão para sair do local. Um preço pequeno a ser pago diante de tudo o que havia acontecido até ali. Silvia pensou em ir até ele para conseguir uma foto ao seu lado mas desistiu depois de ver tantas pessoas a sua frente.

Após muito empurra empurra chegou até a saída convicta de que as coisas mudariam e de que seus problemas tinham dias contados. Ao encontrar Junior ela diz:

- "Eu te disse que não podíamos perder esta noite por nada, ele é incrível!"

Aquilo deixou Junior ainda mais chateado por não ter conseguido entrar e muito menos estar perto dele.

Silvia voltou para casa comentando tudo o que tinha visto e ouvido do lado de dentro, enquanto Junior se perguntava se no ano seguinte ele seria novamente convidado para estar com eles; mesmo que sim, um ano seria uma eternidade sem a solução dos seus problemas.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Qualquer semelhança - parte 4

Enquanto Teresa terminava de passar um pano úmido no chão Erivelton orava ajoelhado num canto do salão. Pedrinho dedilhava notas soltas no violão do pai enquanto Ana olhava para o irmão com ar de reprovação.

Perto das 19hs Erivelton se levanta e se coloca a porta do salão para cumprimentar os primeiros a chegar e lá fica até que Ana inicia os cânticos. Sem se importar muito com concordâncias, sujeitos e o correto tempo dos verbos a ministração gira em torno da felicidade de estar ali mais uma vez.

Mesmo sabendo o que aconteceria na sequência, como se a programação já tivesse enraizada em sua mente desde muito tempo, a impressão é que as palavras tinham novas conotações e intenções a cada novo momento daquela noite.

Entre resmungos e choramingos de algumas crianças Erivelton toma a palavra. Ele abre o livro e lê uma passagem tão conhecida que mal precisava olhar o texto para se recordar de todas as palavras nos mínimos detalhes. Poucos participantes tinham o livro em suas mãos mas tentavam compreender as palavras ditas por Erivelton. Na maioria das vezes elas eram como poesia para a alma. Daquele tipo que faz cócegas no entendimento dos iletrados e analfabetos.

Mesmo tendo comentado o mesmo texto várias vezes, momentos como aquele ainda causavam temor e ansiedade em Erivelton e mesmo falando a um público pequeno e sem muita cultura suas pernas insistiam em tremer. No rosto dos participantes o que se via era um misto de expectativa e conforto como se algo os tomasse nos braços.

Teresa ouve seu marido de olhos fechados e tira um lenço do bolso para enxugar algumas lágrimas. Em seus pensamentos pergunta a si mesma: “Porque será que eu choro toda vez?”.

Compenetrada em seu espírito não percebe que outros começam a experimentar o mesmo mover e que as lágrimas já não são mais exlcusividade sua.

Parecia haver mais alguém naquele lugar mas ninguém conseguia vê-lo.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Qualquer semelhança - parte 3

O evento começou e o que se via era uma multidão tentando chegar mais perto. Um lugar para se sentar parecia impossível mas ela seguiu com determinação, porém, o máximo que conseguiu foi um espaço no corredor lateral onde ficaria em pé por algumas horas.

O tempo passava rapidamente e ele ainda não estava lá. O que pairava no ar era uma ansiedade e uma expectativa coletiva para o momento de então poderem vê-lo.

De repente abre-se um corredor em meio multidão e com o auxílio do pessoal da recepção ele consegue chegar ao palco do evento.

As atenções foram tomadas e a partir daquele momento nada mais do que se falava parecia ter lugar na memória das pessoas. Toda a programação prévia parecia ter uma função meramente introdutória, sem a preocupação de fazer sentido uma vez que o ápice do evento girava em torno dele.

Júnior acompanhava tudo do lado de fora pois só encontrou um lugar para estacionar o carro muito longe dali e quando chegou não havia mais como entrar. Silvia não notou sua falta e ainda estava chateada por não ter conseguido um lugar para se sentar.

Quando ele tomou a palavra e iniciou seu discurso o silêncio tomou conta da multidão tal era a curiosidade acerca de suas palavras. Nem tudo o que ele dizia parecia fazer sentido mas a sua eloquência - fruto de muita experiência em eventos como aquele - era formidável e tudo era tão novo e arrebatador que um misto de dúvidas e aprendizados enchia os ouvidos e corações.

Silvia acompanhava atenta a cada palavra enquanto outros timidamente começavam a tirar fotos dele.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Grama do vizinho - Vou me lembrar

Lembre-se de quem bebeu do fel amargo de uma taça
Que ainda existe quem torça pra assistir uma desgraça
E dos fariseus, que engordam com aquilo que é nosso
E dos mercenários que cobram pra nos dar o que é de graça

Lembre-se de quem gera das entranhas o Seu povo
Que valemos mais do que o mundo inteiro com o seu ouro
Que aquele sacrifício, é vivo e permanece sobre todos nós para sempre

Lembrem-se do pão que nunca nos faltou em meio à seca
De quem multiplicou e faz com que nenhum dos Seus se perca
Que nunca foi alguém de carne e osso que nos fez mais nobres
Que não há mais ninguém melhor do que
Alguém que se fez pobre

Lembre-se de quem nos deu o próprio sangue como um selo
Que homens vão e vêm mais Ele permanece eternamente
Que Aquele que desceu, é o mesmo que subiu e que nos levará para sempre

Eu vou me lembrar, de não me esquecer
De tudo o que eu fiz
E sempre acreditar que o que me faltar
Deus já me deu
E pelo que eu vivi
Sempre glorificá-Lo

Eu vou me lembrar que mesmo assim
Eu nada sou
E sempre acreditar que
Quando eu morrer
Eu vou viver
E, sem parar
Pra sempre glorificar o meu Deus

Banda Resgate
CD Ainda não é o último

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Qualquer semelhança - parte 2

Longe dali, um pouco mais cedo, Erivelton e Teresa saem de casa a pé. Pedrinho e Ana acompanham os pais de longe enquanto brincam com as pedras que apanham na rua de chão batido.

- “Querida, quer que eu leve esse balde para você?”

- “Não amor, não se preocupe. Não está pesado”.

- “Uma chuva caía bem, não acha? Nesse verão a poeira aumenta quando os carros passam e o salão fica muito sujo”.

- “Também acho. O problema é que se chover o pessoal não aparece”.

A rotina era a mesma de sempre: chegar um pouco mais cedo, limpar o chão, arrumar as cadeiras e tirar o pó das janelas. Mas isso não os incomodava. Aquela noite seria como todas as outras e Ele estaria lá.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Qualquer semelhança - parte 1

Naquela tarde tudo parecia mais corrido do que costumava ser.

- “Corra senão vamos nos atrasar” dizia ele, fazendo com que ela tropeça-se entre as roupas e perdesse o secador de cabelos entre o caminho do quarto até o banheiro.

- “Se não chegarmos cedo não conseguimos um bom lugar. E você sabe que hoje vai estar lotado. Afinal de contas a divulgação foi grande e vem gente de todo lugar para vê-lo”.

- “Já sei, já sei... por favor tenha paciência. Eu preciso estar muito bem arrumada hoje.Porque você não se adianta e já tira o carro da garagem?”

Saíram apressados tentando descobrir um caminho sem muito trânsito. No carro a discussão continuou com acusações mútuas pelo atraso.

- “Já estou vendo tudo. Não vamos conseguir estacionar perto. Vamos ter que andar e vamos nos atrasar mais ainda”.

- “Problema seu. Me deixe na porta para que eu consiga um bom lugar. Depois você estaciona.”

O início da noite chegou e o evento era aguardado a muito tempo. Aquela noite seria diferente das outras. Afinal de contas ele estaria lá.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Democracia de 1

Eleições se aproximando e a velha ladainha de sempre volta a tona. O estado “democrático” será novamente colocado em ação. Se escuta novamente a falácia do regime perfeito: Democracia, um regime de governo em que o povo decide.

Não que eu queira colocar por terra seus anseios e esperanças políticas. Não que eu queira dar aula de antropologia ou sociologia. Não que eu queira te incentivar a votar ou deixar disso. Não que eu queira provar que o sistema está falido. Não que eu queira te incitar contras as autoridades constituídas. Nem de longe.

Contudo... já faz um bom tempo que meus projetos de lei para a vida são decididos na democracia de uma pessoa só e que por incrível que pareça não sou eu.

“Se houvesse um povo de deuses, ele seria governado democraticamente. Um governo tão perfeito não convém aos homens.” Jean-Jacques Rousseau

E a falácia continua baseada na certeza de que são deuses.